04/02/2017 08h36

AQUI, INCENTIVAMOS O DESENVOLVIMENTO

(*) Sérgio Longen

 
 

Esta semana o IBGE divulgou um dado que todos já tínhamos ideia, mas que, oficialmente, se torna ainda mais assustador. O Brasil fechou 2016 com 12,3 milhões de desempregados. Um dado que causa preocupação a todos, já que esses números vêm sempre acompanhados de empresas fechando as portas e aumento do índice de criminalidade entre outros reflexos.

Timidamente, a economia do Brasil mostra que ainda tem sinais vitais, porém, ainda não saiu da UTI e deve permanecer boa parte de 2017. Em Mato Grosso do Sul é preciso tranquilidade e frieza para analisar os números e a realidade de alguns setores.

Vamos falar da indústria em nosso Estado, porque disso, nós entendemos. Na contramão da crise, a cidade de Três Lagoas foi o município brasileiro que mais gerou empregos em 2016. Foram 3.509 novos postos de trabalho. As 63 indústrias instaladas na região foram responsáveis por 76,3% deles, ou seja, 2.464 empregos, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

O Sistema Fiems colabora diretamente no processo de instalação dessas fábricas em Três Lagoas, por exemplo, formando e treinando mão-de-obra qualificada para que as indústrias consigam excelência em seus trabalhadores. Dito isto, vamos ao ponto central deste artigo: Incentivos Fiscais. O exemplo que dei sobre a cidade sul-mato-grossense é apenas uma pequena amostra do que os incentivos fiscais em um Estado podem fazer.

Mato Grosso do Sul sempre foi reconhecido nacionalmente pela política agressiva de incentivos fiscais para atrair grandes indústrias, em contrapartida, as empresas geram emprego para nossa gente. Por esse motivo, no último ano, também fomos reconhecidos como o Estado Brasileiro que mais atraiu investimento privado. Isso não é à toa, é fruto de trabalho, organização, seriedade, determinação e vontade política.

Nesta última semana, o anúncio do Governo do Estado sobre o desejo em rever a política de incentivos fiscais nos levou a sentar para discutir soluções. A indústria, mesmo com as dificuldades impostas pela carga tributária nacional, já se mostrou sensível às ações de economia da máquina pública estadual e reafirma seu posicionamento em construir uma alternativa à proposta de revisão dos incentivos fiscais, de modo que possa ajudar no momento que o Estado mais precisa, mas, sem penalizar as empresas que ancoraram suas estruturas num contrato de incentivos e aqui estão instaladas e operando.

Os Estados vizinhos têm muito mais atrativos do ponto de vista da logística, por exemplo, que o nosso. Mexer nos incentivos pode significar muita gente desempregada e empresas indo embora para outros lugares, pode apostar. De um modo geral, o poder de consumo interno em Mato Grosso do Sul, varia de 15 a 20% da produção total de uma indústria, o restante vai para outros Estados e isso garante a competitividade do que é produzido aqui, uma vez que temos pouco mais de dois milhões de habitantes.

É preciso entender que o Estado, quando concede o incentivo, não renuncia a nenhuma receita, porque ninguém renuncia àquilo que não existe. Em outras palavras, se a indústria ainda não está instalada aqui e existe apenas vontade, não existe a receita. Isso é dinheiro novo, projeto novo, emprego novo, e não renúncia à receita.

Os empresários até aceitam discutir um novo modelo de concessão de incentivos, porém, daqui para frente. Os contratos já existentes devem ser honrados. Não pode haver quebra. Já disse isso em outras oportunidades e repito: confio no bom senso do governador Reinaldo Azambuja, que se mostrou disposto em sentar à mesa com o setor e discutir alternativas, e tenho a plena convicção que vamos chegar a essa solução de modo que seja bom para ambos, Estado e indústria. O nosso setor em Mato Grosso do Sul quer muito colaborar com esse momento que passamos, mas também precisamos, antes de começar a cirurgia, cuidar do pré-operatório.

(*) Sergio Longen é empresário, presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS) e conselheiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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