06/03/2017 15h58

Fibria potencializa logística no Bolsão com Terminal em Aparecida do Taboado (MS)

Modal ferroviário tem previsão de ser concluído no final de julho deste ano e servirá para atender o transporte da produção de celulose da segunda unidade de produção da Fibria

 
Ricardo Ojeda e Lucas Gustavo
 
Durante o lançamento da pedra fundamental do terminal em Aparecida do Taboado o governador Reinaldo Azambuja disse que o investimento em logística feito pela Fibria vai repercutir de forma positiva no Estado (Foto: Ricardo Ojeda)  Durante o lançamento da pedra fundamental do terminal em Aparecida do Taboado o governador Reinaldo Azambuja disse que o investimento em logística feito pela Fibria vai repercutir de forma positiva no Estado (Foto: Ricardo Ojeda)

Vinda do verbo francês loger, que quer dizer alojar ou acolher, a Fibria tem feito jus a origem da palavra logística em Três Lagoas. Desde que inaugurada, a empresa literalmente ‘amparou’ o município e seus moradores com avanço econômico e geração de emprego. Graças a ela, a cidade é conhecida como Capital Mundial da Celulose, Capital do Bolsão e, agora, caminha para a autossuficiência em logística para transporte da produção de celulose na região do Bolsão. Para isso, a Fibria investe, atualmente, R$ 7,5 bilhões em Três Lagoas por meio do Projeto Horizonte 2, valor esse que está agregado o intermodal ferroviário de Aparecida do Taboado.

Estudos consideram que a logística nasceu em períodos de guerra na Grécia Antiga e império Romano. Na ocasião, os militares transportavam tropas, armamentos, munições e carros pesados aos locais de combate. Nem sempre a rota escolhida por eles era a mais curta, já que era necessária uma fonte de água potável próxima.

 
Três Lagoas está situada em posição geográfica privilegiada, fazendo fronteira com o estado de São Paulo e próximo de Minas Gerais e Goiais (Foto: Reprodução) Três Lagoas está situada em posição geográfica privilegiada, fazendo fronteira com o estado de São Paulo e próximo de Minas Gerais e Goiais (Foto: Reprodução)
PONTO GEOGRÁFICO

O impressionante é que um mecanismo que surgiu de maneira obscura e conflituosa chegou a Três Lagoas de forma pacífica e proporcionou e progresso. É claro que é de conhecimento de todos que o município se concentra em um ponto geográfico vantajoso, com localização na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná, a quinta maior do mundo.

A cidade também faz divisa com São Paulo e tem proximidade com Goiás e Minas Gerais. Embora o estado paulista seja o mais populoso do Brasil, os habitantes de lá também tem buscado ‘refúgio’ em Três Lagoas. Prova disso são as centenas de moradores de Castilho (SP) e Andradina (SP) que viajam todos os dias para o município por conta de seus postos de trabalho.

Três Lagoas ainda fica na confluência das malhas viária, fluvial e ferroviária do Brasil e, por conta disso, tem acesso privilegiado às regiões centro-oeste, sudeste e sul e a países da América do Sul. É inegável que, para o desenvolvimento de uma região, é preciso de investidores. É claro que a questão geográfica do município atraiu e continua atraindo grandes empresas, mas a logística para o transporte de seus produtos é de extrema importância.

 

A logística em Três Lagoas iniciou em 1912 com a chegada dos trilhos da Noroeste do Brasil. A estrada de ferro possibilitou intercâmbio comercial entre Mato Grosso do Sul e São Paulo (Foto: Reprodução)
A logística em Três Lagoas iniciou em 1912 com a chegada dos trilhos da Noroeste do Brasil. A estrada de ferro possibilitou intercâmbio comercial entre Mato Grosso do Sul e São Paulo (Foto: Reprodução)
NOROESTE DO BRASIL

Mesmo de maneira ‘tímida’, a logística em Três Lagoas teve início em 1912 com a chegada dos trilhos da Noroeste do Brasil. A instalação possibilitou intercâmbio comercial entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. Por meio da estrada de ferro, pessoas migraram de outras regiões para trabalhar e investir no município.

Já em 1920, a Feira do Gado passou a movimentar a logística e a economia de Três Lagoas. Com seus carros de bois e comitivas, pecuaristas de vários outros municípios visitavam o ‘mercado’ para a compra e venda de rebanhos. As negociações aconteciam a céu aberto e marcaram o desenvolvimento local pela pecuária de corte. O monumento Obelisco, tombado como patrimônio histórico municipal em 1982, é um símbolo representativo que homenageia a época.

 
Tombado em 1982 o Obelisco é um marco das comitivas que vinham para a feira do gado. Esse foi o principal local que servia de apoio logístico para os comerciantes daquela época (Foto: Ricardo Ojeda)   Tombado em 1982 o Obelisco é um marco das comitivas que vinham para a feira do gado. Esse foi o principal local que servia de apoio logístico para os comerciantes daquela época (Foto: Ricardo Ojeda)
INVESTIMENTO DO SÉCULO

Em 15 de outubro de 2006, a Votorantim Papel e Celulose iniciou uma troca de ativos com a International Paper para a implantação de uma fábrica de celulose em Três Lagoas. Naquele período, a prefeita, Simone Tebet, classificou o projeto como o ‘’investimento do século’’. A empresa, que é a atual Fibria, entrou em operação no ano de 2009.

Quando o assunto ainda é logística vale lembrar que, após ser federalizada, a MS-395 – atual BR 158 - recebeu, em 2009, investimentos do Governo Federal para revitalização da via. A Fibria foi de fundamental importância nesse progresso, já que o benefício visou melhorar o escoamento de produção de mercadorias do Estado. Até então, a rodovia não possuía estrutura suficiente para suportar o tamanho fluxo de transporte de celulose.

 
A construção da primeira unidade de produção da FIbria, que entrou em operação em 2009 catapultou investimentos no setor logístico do município (Foto: Ricardo Ojeda/Arquivo)  A construção da primeira unidade de produção da FIbria, que entrou em operação em 2009 catapultou investimentos no setor logístico do município (Foto: Ricardo Ojeda/Arquivo)
MODAIS DE TRANSPORTES

Em sua primeira fase de operação, a logística da Fibria acontece por meio de modais ferroviário e viário. A celulose produzida é transportada pela rodovia até o entreposto de Jupiá. De lá, a matéria segue em locomotivas até Santos.

Agora, com o objetivo de impulsionar ganhos e reduzir impactos socioambientais, a Fibria constrói seu próprio terminal intermodal em Aparecida do Taboado. A obra teve início em dezembro de 2016 e a Pedra Fundamental foi lançada no mês passado. A expectativa é que o complexo fique pronto no mês de julho desse ano.

“A Fibria vem fazendo sua lição de casa ao investir em práticas que aliam o crescimento com o desenvolvimento regional sustentável. Essa obra é um exemplo disso. O modal ferroviário representa maior atratividade econômica e menor impacto ambiental. É bom para a Fibria, para Aparecida do Taboado e para o Estado do Mato Grosso do Sul”

— Marcelo Castelli - Presidente da Fibria

De acordo com a Fibria, o terminal terá capacidade de escoamento de 1,95 milhões de toneladas de celulose por ano e atenderá a segunda linha de produção de Três Lagoas. O material sairá de Aparecida do Taboado, será levado para o Porto de Santos e, de lá, exportado para Ásia, Europa e Estados Unidos.

Para ter uma ideia da importância do terminal que está sendo construído em Aparecida do Taboado, o prefeito, José Robson Samara Almeida, disse que seu município passa a ser a capital mundial do transporte de celulose, referindo ao volume de produto que será transportado até o terminal portuário de Santos. Por sua vez, o governador Reinaldo Azambuja, durante a solenidade do lançamento da pedra fundamental, reiterou que os investimentos em logística feito pela Fibria reflete de forma positiva na economia de Mato Grosso do Sul.

CRONOGRAMA

A obra do terminal deverá ser entregue no final do mês de julho, garantiu o diretor de Engenharia da Fibria, Júlio Cezar Rodrigues da Cunha. O empreendimento seguirá o padrão estrutural de terminais integradores de outras regiões do Brasil, que funcionam como polos concentradores de carga, aumentando a agilidade com a utilização de ferrovias do tipo bitola larga (estrutura de trilhos que permite que os vagões e locomotivas trafeguem com uma velocidade superior).

"A Fibria vem fazendo sua lição de casa ao investir em práticas que aliam o crescimento com o desenvolvimento regional sustentável. Essa obra é um exemplo disso. O modal ferroviário representa maior atratividade econômica e menor impacto ambiental. É bom para a Fibria, para Aparecida do Taboado e para o Estado do Mato Grosso do Sul", diz Marcelo Castelli, presidente da Fibria.

Em relação ao Projeto Horizonte 2, onde são investidos 7,5 bilhões, a previsão de conclusão é o início do 4º trimestre deste ano.

 

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