18/10/2017 17h00

Paralisação da JBS em MS preocupa pecuaristas de Três Lagoas

Sete unidades frigoríficas da JBS paralisaram, por tempo indeterminado, suas atividades no Estado. A partir de hoje (18), companhia não compra nem abate mais gado em MS

 
Lucas Gustavo
 
Ao Perfil News, o pecuarista, Cláudio Totó defende que o empecilho precisa ser resolvido entre a própria classe política por meio de uma negociação com a JBS (Foto: Lucas Gustavo) Ao Perfil News, o pecuarista, Cláudio Totó defende que o empecilho precisa ser resolvido entre a própria classe política por meio de uma negociação com a JBS (Foto: Lucas Gustavo)
 
Muito preocupado com a situação, Jairo Queiroz utilizou a palavra ‘’tragédia’’ para definir o que ocorrerá com o Estado caso a paralisação das unidades seja constante (Foto: Lucas Gustavo) Muito preocupado com a situação, Jairo Queiroz utilizou a palavra ‘’tragédia’’ para definir o que ocorrerá com o Estado caso a paralisação das unidades seja constante (Foto: Lucas Gustavo)

Pecuaristas de todo o Estado estão preocupados com a paralisação das sete unidades frigoríficas do grupo JBS em Mato Grosso do Sul. A companhia iniciou a ‘parada geral’ de suas plantas nesta quarta-feira (18).

A medida, que é por tempo indeterminado, aconteceu depois que a Assembleia Legislativa, por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), pediu à Justiça que bloqueasse R$ 730 milhões da empresa. No processo, os deputados apuram a concessão de benefícios fiscais concedidos pelo governo do Estado à JBS, e querem a devolução do montante aos cofres públicos.

A companhia anunciou que, a partir de hoje (18), não compra nem abate mais gado em Mato Grosso do Sul, com a justificativa de ‘insegurança judicial’. Em nota, a JBS também esclareceu que, até que haja uma solução para o impasse, seus mais de 15 mil funcionários no Estado continuarão a receber seus vencimentos trabalhistas.

’Os produtores precisam entender que é preciso pôr um pé na embreagem e o outro no freio. Se o cenário está difícil, é hora de cessar os gastos para investimentos ou diminuí-los o quanto puder. Não se pode gastar o que não tem, pois o futuro pode ser sombrio’’

— Cláudio Totó - Pecuarista

PONTO DE INTERROGAÇÃO

Sobre o caso, a equipe de jornalismo do Perfil News esteve, durante a manhã, na fazenda Jaó. Na oportunidade, a reportagem conversou com o dono da propriedade e renomado pecuarista Cláudio Fernando Garcia de Souza, conhecido como ‘’Cláudio Totó’’. O produtor rural defende que o empecilho precisa ser resolvido entre a própria classe política por meio de uma negociação com a JBS.

‘’É uma questão imprevisível. Tudo isso vai depender de uma ação negociada entre os políticos. Agora, a que preço? Isso não sabemos; é um grande ponto de interrogação’’, disse Totó.

UM PÉ NA EMBREAGEM E OUTRO NO FREIO

Enquanto a paralisação dos sete frigoríficos prossegue, o entrevistado aconselha que os demais pecuaristas sejam cautelosos em suas decisões financeiras. Para ele, a economia é a melhor instrução a dar nesse momento.

‘’A situação precisa ser revista com urgência pelos deputados, pois independente de qualquer coisa, o grupo JBS é um dos maiores empregadores do Brasil. Muitos não têm noção do impacto negativo que pode ocorrer na economia. Somados, os frigorífico matam 10 mil cabeças por dia, e cada uma delas custa em torno de R$ 2.500; o capital que gira é muito grande. Sem esse fluxo financeiro, pode ocorrer uma tragédia’’

— Jairo Queiroz - Pecuarista

‘’Os produtores precisam entender que é preciso pôr um pé na embreagem e o outro no freio. Se o cenário está difícil, é hora de cessar os gastos para investimentos ou diminuí-los o quanto puder. Não se pode gastar o que não tem, pois o futuro pode ser sombrio’’, considerou Cláudio.

PREJUÍZO

Também ouvido pela reportagem, o pecuarista três-lagoense e médico, Jairo Queiroz Jorge, revelou estar abalado por conta da paralisação dos frigoríficos. Apesar da preocupação, o produtor opta pelo otimismo e prefere pensar que a situação é transitória.

‘’Espero que dentro de no máximo cinco dias haja um acordo entre as partes. Vejo a situação com tristeza e apreensão, pois gera um prejuízo muito grande para a economia do Estado, aos trabalhadores e a nós produtores rurais, que já somos massacrados há muitos anos com o preço da arroba do boi’’, revelou.

 
O preço para os produtores que mantém o gado em confinamento, como é o caso do criador, Marcelo Queiroz é muito alto, uma média de R$ 10/dia poe cabeça, calculou Jairo Queiroz (Foto: Divulgação)  O preço para os produtores que mantém o gado em confinamento, como é o caso do criador, Marcelo Queiroz é muito alto, uma média de R$ 10/dia poe cabeça, calculou Jairo Queiroz (Foto: Divulgação)

TRAGÉDIA

Ao Perfil News, Jairo utilizou a palavra ‘’tragédia’’ para definir o que ocorrerá com o Estado caso a paralisação das unidades seja constante.

‘’A situação precisa ser revista com urgência pelos deputados, pois independente de qualquer coisa, o grupo JBS é um dos maiores empregadores do Brasil. Muitos não têm noção do impacto negativo que pode ocorrer na economia. Somados, os frigorífico matam 10 mil cabeças por dia, e cada uma delas custa em torno de R$ 2.500; o capital que gira é muito grande. Sem esse fluxo financeiro, pode ocorrer uma tragédia’’, encerrou o pecuarista.

(*) Entrevista: Ricardo Ojeda

 

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