22/06/2018 16h25

Produtor de celulose começa a definir novo preço de julho

Fila de anúncios seria puxada pelas líderes Fibria e Suzano Papel e Celulose. Contudo, há pelo menos dois fatores que podem impedir uma iniciativa brasileira desta vez

 
Redação
 
Celulose produzida pela Fibria. (Foto: Ygor Andrade/Arquivo/Perfil News). Celulose produzida pela Fibria. (Foto: Ygor Andrade/Arquivo/Perfil News).

Um novo aumento de preços para a celulose de fibra curta deve ser aplicado entre julho e agosto, mas ainda não está claro qual será o grande produtor a liderar esse movimento — talvez a Asia Pulp and Paper (APP), que segundo a consultoria RISI acaba de anunciar que vai elevar em US$ 30 por tonelada a cotação da fibra de acácia a partir de 1o de julho.

Tipicamente, a fila de anúncios seria puxada pelas líderes Fibria e Suzano Papel e Celulose. Contudo, há pelo menos dois fatores que podem impedir uma iniciativa brasileira desta vez: o foco em garantir a entrega de volumes contratados com o menor atraso possível, após a interrupção no fluxo logístico por causa da greve de caminhoneiros, e o fato de ambas estarem sob escrutínio de órgãos de defesa da concorrência.

Os dois antecedentes, combinados a um mercado um pouco mais morno na China, já pesaram e não houve anúncio de aumento entre os produtores brasileiros para junho — a iniciativa acabou adiada por causa da greve. Fora do país, a espanhola Ence informou novo valor de referência para a fibra curta na Europa neste mês, de US$ 1.070 a tonelada, que embute aumento de US$ 20 por tonelada, e a April anunciou que subiria os preços em US$ 50 por tonelada entre este mês e o próximo na Ásia.

A companhia indonésia informou que aplicaria um aumento de US$ 20 por tonelada neste mês e de US$ 30 por tonelada em julho, no mercado asiático, na esteira do desequilíbrio global entre oferta e demanda, que foi agravado pela interrupção na produção de matéria-prima no Brasil em consequência da greve de caminhoneiros.

Após encontro com a diretoria comercial de celulose da Klabin no início da semana, analistas do Itaú BBA escreveram que a tendência para os próximos meses é que o mercado permaneça "saudável". Em 2019, a relação entre oferta e demanda poderá ficar ainda mais estreita, uma vez que o consumo global tem acelerado em relação à média anterior e não haverá chegada de novas capacidades. A companhia vê margem para possível reajuste entre julho e agosto.

No Brasil, antes de potencialmente acompanhar os aumentos de preço anunciados por produtores internacionais, a indústria tem se apressado em cumprir volumes já contratados sem alteração de valor. Seria um contrassenso aplicar reajustes sem ter condições de cumprir prazos previstos em contrato, observou uma fonte da indústria. Mas parece óbvio que, depois da paralisação de caminhoneiros no Brasil e da interrupção das operações fabris em praticamente todo o setor, haverá desequilíbrio entre oferta e demanda global e margem para aumento.

Apesar dos efeitos negativos para os produtores locais, a greve no país contribuiu para desbalancear o mercado mundial de fibra curta. Havia, inclusive, expectativa de alguma correção dos preços durante o verão no Hemisfério Norte, quando sazonalmente há redução dos negócios. Além disso, indicou o Itaú BBA, a consultoria Hawkins Wright havia notado que os fundamentos no mercado chinês se deterioravam em maio.

Com a paralisação, de 250 mil a 300 mil toneladas de celulose de fibra curta deixaram de ser produzidas e não chegarão ao mercado no próximo mês. Esse volume equivale entre 20% e 30% da demanda adicional anual por fibra curta. O Itaú BBA estima que a ruptura na oferta de celulose de fibra curta em 2018, globalmente, já chegou a 700 mil toneladas, o equivalente a mais de 1% da capacidade instalada no mundo.

Por isso, é consenso entre fontes da indústria que razões não faltam para a aplicação de novos aumentos nos próximos meses — por enquanto, foram feitos dois em 2018. Mas também parece claro que, a caminho de combinar suas operações e dar origem a um gigante no mercado global de celulose de eucalipto, Suzano e Fibria não serão as primeiras a anunciar esses aumentos. Ao menos enquanto órgãos de defesa da concorrência no Brasil, Europa e China estiverem tentando compreender como se dá a formação de preços da commodity nos diferentes mercados e os impactos que a compra da Fibria pode ter nesses movimentos.

(*) Valor Econômico Link da publicação original: http://www.valor.com.br/empresas/5612949/produtor-de-celulose-comeca-definir-novo-preco-de-julho

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