12/08/2017 09h15

'Foi vontade de Deus', afirma creche sobre morte de bebê em seu 1º dia de aula em Campinas

Escola Casinha do Saber emitiu nota sobre a morte de Emanuelle Maciel, de 4 meses. MP questiona Prefeitura sobre funcionamento, e Polícia Civil aguarda laudo para definir se abre inquérito.

 
Redação
 
Bebê morreu no primeiro dia em que foi levada para creche (Foto: Devair Maciel / Arquivo pessoal ) Bebê morreu no primeiro dia em que foi levada para creche (Foto: Devair Maciel / Arquivo pessoal )

A escola infantil Casinha do Saber, de Campinas (SP), onde Emanuelle Calheiros Maciel, de 4 meses, passou mal e morreu no primeiro dia de aula, na última terça (8), divulgou nota na quinta-feira (10) atribuindo a morte da bebê "à vontade de Deus". Na declaração de óbito emitida pelo Instituto Médico Legal, o legista informa que a criança morreu por "broncoaspiração maciça por alimento na creche".

A Polícia Civil aguarda o envio do laudo pela Casa de Saúde para determinar se abre inquérito sobre o caso. Além disso, segundo apurou a EPTV, afiliada da TV Globo, o Ministério Público enviou um ofício à Prefeitura para questionar sobre o funcionamento da unidade, ainda que irregular.

"A primeira pergunta que se faz: por que Deus? Por que com esse anjinho? Por que com a nossa escola? Por que com nossa equipe? Certamente, pela vontade de DEUS!", destaca nota da escola.

Em seu comunicado oficial, a escola destaca que não se manifestou anteriormente "por respeito ao pai, à mãe, aos familiares e a sua equipe, todos atingidos por essa tragédia que vitimou e causou a passagem prematura da pequena Emanuelle."

"Não havendo palavras que possam confortar a dor imensurável, com a qual compartilhamos, senão pela fé em Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, quem certamente confortará a todos e dará o merecido descanso à sua alma e ao seu espírito ao lado do Pai Eterno", diz o texto enviado pela advogada da escola e assinado pela equipe Casinha do Saber.

Na última quarta-feira (9), o tio da menina, Devair Marques Maciel, disse ao G1 que a escola informou à mãe que a menina não tinha tomado mamadeira. A bebê deveria usar, segundo o tio, um travesseiro antirrefluxo, que não estava no berço quando a mãe chegou.

"A menina não tinha problemas de saúde. Eu sou da [área de] saúde e comprei pra ela o travesseiro antirrefluxo. A mãe levou e entregou na mão deles e não colocaram. O dono da escola não soube dizer por quê", diz Devair.

Apurações

O caso de Emanuelle Maciel foi anexado ao inquérito em que o MP apura situação das escolas infantis da rede privada em Campinas. A promotoria da Infância e Juventude informou que pediu à administração municipal informações sobre o que será feito para regularizar a Casinha do Saber.

Na quarta-feira, a Secretaria de Urbanismo informou que a escola não tinha alvará para funcionar.

Além disso, o MP quer saber se a administração sabia do funcionamento da unidade e pede para que no local seja realizada uma inspeção. O governo municipal tem dez dias para responder.

Em nota, a Casinha do Saber afirma que "está legalmente estabelecida e possui autorização/alvará para o exercício de suas atividades".

A unidade de ensino destaca "o equívoco noticiado ao fato da alteração de endereço, cujo procedimento administrativo encontra-se na fase final perante a municipalidade local, sendo certo que após o ocorrido e em razão dele, o local foi vistoriado por um fiscal, o qual atestou a regularidade e autorizou o prosseguimento de suas atividades, o que apesar do abalo causado a todos pela fatídica ocorrência, se esforça em manter".

(*) G1

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