Mesmo com o terremoto econômico provocado pelo coronavírus, exportações de Mato Grosso do Sul foram beneficiadas pelas indústrias de Três Lagoas, que hoje completa 105 anos

O mundo padece pelos efeitos catastróficos causados pelo novo coronavírus. Enquanto as economias mundiais de esfacelam diante do cenário caótico, o Estado de Mato Grosso do Sul mantém-se em pé, registrando superávit nas exportações e conseguindo passar pela pandemia com os menores impactos possíveis.

Três Lagoas colabora em muito com esse cenário: terceira maior cidade do Estado, é aqui onde estão as fábricas de celulose do Estado. Matéria-prima essencial para confecção de insumos hospitalares, a commodity teve queda nas exportações, mas mesmo assin não deixou de ser comprada pelos países estrangeiros. E toda a celulose produzida no Estado sai da Suzano ou da Eldorado.

A cidade é, de longe, a que mais contribui com as exportações do Estado, individualmente. Mesmo com a queda na venda de celulose nos últimos meses – cerca de 15% – ainda assim Três Lagoas é responsável por quase 50% de toda a exportação do Mato Grosso do Sul.

Mas não é só no momento da pior crise do século que a cidade tem se destacado. Nos últimos cinco anos, Mato Grosso do Sul registrou crescimento acima da média nacional na produção de celulose, atingiu a marca de 1 milhão de hectares de eucalipto plantados, ampliou seu parque industrial do setor e se consolidou como o maior exportador do produto no país no primeiro quadrimestre de 2020.

Entre os anos de 2010 a 2018 a produção sul-mato-grossense disparou em 308%, chegando a 17 milhões de metros cúbicos de madeira em tora para papel e celulose em 2018. Esse desempenho crescente fez com que, já em 2019, Mato Grosso do Sul atingisse a liderança das exportações do produto no país, com 9,7 milhões de toneladas comercializadas: 22,20% do total brasileiro das exportações de celulose naquele ano.

Essa posição foi consolidada de janeiro a abril de 2020, quando o Estado ampliou o volume exportado para 1,49 milhão de toneladas, 4,7% maior em relação ao mesmo período do ano passado e já representa 29,27% de todas a exportações brasileiras do produto, à frente de estados como a Bahia, Rio Grande do Sul, São Paulo e Espírito Santo.

Mais de 60% da produção de celulose em Três Lagoas tem com o destino a China.

Empregos e geração de renda

Além do capital direto gerado por meio dos impostos de exportações, a celulose trouxe empregos diretos e indiretos, transformando a vida da cidade.

Só em Três Lagoas mais de 10 mil pessoas trabalham, direta e indiretamente, nas indústrias de celulose. Além disso, as empresas fazem girar a economia da cidade, com hotelaria, restaurantes e compras de insumos e serviços de fornecedores locais.

Além das três plantas de celulose – duas na Suzano e uma na Eldorado – e da International Paper, a cidade ainda deve inaugurar, em breve, a Usina Termelétrica Onça Pintada, da Eldorado, e aguarda a instalação de outra fábrica de papel – a Unir.

Com isso, cada vez mais Três Lagoas se firma como capital nacional da celulose.

Comentários