02/10/2002 15h37 – Atualizado em 02/10/2002 15h37
O dólar comercial interrompeu a sequência de duas baixas (queda acumulada de 9%) e fechou em alta de 1,52%, vendido a R$ 3,665, máxima do dia. Esse valor é preliminar, sujeito a ajustes até 17h.
A moeda americana operou em ritmo de gangorra. Oscilou muito, entre uma cotação mínima de R$ 3,55 [queda de 1,66%] e máxima de R$ 3,665 [alta de 1,52%].
Houve venda de dólar no mercado à vista pelo Banco Central, estimada em volume abaixo de R$ 100 milhões e confirmada pelo BC.
No final da manhã, o BC realizou um leilão de linhas de crédito à exportação. Dos US$ 30 milhões ofertados, foram vendidos US$ 24,198 milhões para o dia 31 de março de 2003 com taxa de 4%. Esse valor correspondeu ao total da demanda do mercado.
Compra antecipada
Nos momentos de alta, a moeda americana sofreu a pressão de empresas com dívidas vencendo nos próximos dias, que aproveitaram a queda nos últimos dois dias para comprar a moeda.
Essas companhias são orientadas a antecipar suas compras, uma vez que até o final do mês haverá o vencimento de dívida externa privada de US$ 2,5 bilhões. Além disso, no próximo dia 17, haverá a rolagem de US$ 3,6 bilhões em títulos e swaps cambiais. Isso significa que os bancos vão pressionar a taxa média do dólar (Ptax) para lucrar mais com a remuneração desses papéis.
Debate no foco
Também, o quadro político ainda divide opiniões e pode gerar algum estresse, até o próximo domingo, quando acontece o primeiro turno das eleições presidenciais.
Ontem à noite, uma pesquisa do Ibope, divulgada à noite no “Jornal Nacional”, da Rede Globo, mostrou que, a cinco dias das eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua perto de vencer a disputa no primeiro turno. Ele tem 48% dos votos válidos. Ou seja, precisa de mais dois pontos percentuais e um voto para ser eleito já no próximo domingo.
Mas há quem aposte que as chances de um segundo turno não estão totalmente descartadas.
Para Helio Osaki, analista da Finambras, a queda do risco Brasil e a valorização dos títulos da dívida externa brasileira são favorecidas pela aposta de que haverá segundo turno na corrida presidencial.
Ele diz que o debate entre os presidenciáveis amanhã, promovido pela Rede Globo, será um momento importante na reta final da campanha.
Sobre os boatos de surgimento de notícias negativas contra Lula, um outro operador cita achar improvável, pois o eleitor já deu provas de que não quer ver baixaria na campanha. A prova é a queda de José Serra (PSDB), o candidato do governo e o preferido de alguns bancos, após os ataques contra Lula.
Risco Brasil
O risco Brasil, medido pelo banco de investimentos JP Morgan, cai forte hoje. Por volta das 15h30, desabava 4,28%, aos 2.124 pontos. Chegou a ter mínima de 2.069 pontos. ´
O BC recomprou títulos da dívida externa, segundo operadores. Isso explicaria a forte alta dos papéis hoje no mercado internacional.
No mercado de ações, o Ibovespa opera em queda de 1,50%, aos 8.862 pontos, com volume de R$ 466 milhões.
Fonte: Folha Online




