02/10/2002 09h07 – Atualizado em 02/10/2002 09h07
O maior massacre de presos no país completa hoje dez anos. Cento e onze detentos foram mortos em uma ação policial na Casa de Detenção, na Zona Norte da capital. Até agora apenas o coronel Ubiratan Guimarães, que na época era o comandante da Polícia Militar, foi condenado. Ele recorreu da sentença de prisão – 632 anos – anunciada no ano passado, depois de um julgamento que durou dez dias. Ubiratan foi apontado como responsável pela morte de 102 dos 111 presos que morreram durante a invasão ocorrida no Pavilhão 9 do Centro de Detenção.
Tudo começou com uma briga entre facções rivais às 10h30m do dia 2 de outubro de 1992. No fim da tarde, depois de quase cinco horas de rebelião, o coronel Ubiratan recebeu a autorização do então secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, para invadir o presídio que abrigava três mil detentos. Mais de 300 homens da Polícia Militar, armados com cães, bombas e metralhadoras, entraram no prédio. Duas horas depois, 111 presos estavam mortos. Muitos, fuzilados com tiros na cabeça. Pelo menos 85 morreram encurralados dentro das celas.
Muitos parentes de vítimas entraram com ação contra o estado. Pelo menos 29 famílias já ganharam as ações, mas as indenizações ainda não saíram.
Para lembrar os dez anos de massacre, foi realizada nesta manhã uma missa na Igreja Nossa Senhora dos Homens Pretos, Largo Payssandu, e, sem seguida, acontece uma caminhada até o Carandiru com visitação ao prédio.
Fonte:Bom Dia SP




