08/10/2002 13h49 – Atualizado em 08/10/2002 13h49
Helena Chagas
O PT entrou no clube dos grandes pelo voto, e não por aquele processo que costuma inflar partidos que chegam ao poder com a migração de deputados – o que, por si só, já significa muita coisa. Com a provável maior bancada da Câmara e um crescimento significativo no Senado, os petistas ficarão no patamar dos chamados “três grandes” – PMDB, PFL e PSDB – que controlam os principais cargos e dão as cartas no Congresso Nacional.
O que isso vai significar concretamente só ficará claro depois do segundo turno, no dia 27. Mas já é possível adiantar que as urnas de 2002 provocaram uma reviravolta sem precedentes nos últimos anos no quadro político. A mais nítida, a inflexão do Congresso rumo à centro-esquerda, facilitará a vida do futuro presidente da República, seja ele Luiz Inácio Lula da Silva ou José Serra. Afinal, pela história e pelo perfil de ambos, é fácil prever que vão se afinar melhor com essa nova coloração de Legislativo.
A nova composição do parlamento, porém, vai exigir do novo Planalto um maior esforço de negociação. Ninguém terá maioria, nem o presidente e nem partido algum. O poder está pulverizado e, para governar ou exercer qualquer tipo de influência, todos terão que fazer alianças e acordos ou se juntar em blocos. O PT e os demais parceiros de esquerda terão que escolher um dos três grandes para se compor e ter o controle do Congresso. O mesmo ocorrerá com os outros. Quem quiser a presidência de qualquer uma das duas Casas terá que jogar em dobradinha.
Por enquanto, ainda é cedo para dizer quem fica com quem nessa quadrilha. Ninguém vai escolher seu par antes dos resultados das eleições presidencial e estaduais do segundo turno. Mas uma coisa é certa: acabaram-se definitivamente os tempos do rolo compressor.




