08/10/2002 10h49 – Atualizado em 08/10/2002 10h49
Uma equipe de cientistas franceses descobriu um novo uso para a pílula abortiva RU 486 no ramo da psiquiatria.
Além de suas propriedades antiprogesterona, os cientistas da Universidade de Stanford (Califórnia) e o professor francês Etienne-Emile Baulieu explicam na revista “Biological Psychiatry” que a RU 486 também tem efeito anticortisona.
Esta propriedade permitiria evitar que doentes psicóticos tenham “surtos”, mesmo quando já tratados com antidepressivos.
O papel da cortisona durante as depressões é estudado há 20 anos, mas apesar de as equipes francesas e norte-americanas insistirem neste aspecto pouco conhecido da patologia cerebral, até agora nenhuma pesquisa permitiu chegar a conclusões terapêuticas.
Segundo o cientista, “um tratamento adicional com RU 486 durante uma semana basta para afastar o perigo, e o doente volta logo ao estado anterior controlado pelos medicamentos habituais”.
As observações, ainda preliminares, se baseiam em um grupo de 30 pacientes, formado por homens e mulheres entre 25 e 74 anos, com uma dose de RU 486 superior ou igual à utilizada para interromper a gravidez.
“Apesar disso, estes resultados não devem ser extrapolados no tratamento das depressões de reação nem nas depressões comuns, observadas na doença maníaco-depressiva”, avisou Baulieu. “Mas demonstram, em compensação, que a RU 486 pode salvar vidas, que constitui um avanço terapêutico e que o papel dos corticóides no funcionamento cerebral deve ser estudado mais profundamente do que até o presente”, acrescentou.
O cientista explicou que foram estudadas ainda todas as atividades antiprogesterona da RU 486 (facilitar os partos difíceis, tratamentos de fibromas), em parte devido à controvérsia provocada pelo medicamento, demonizado pelos movimentos que lutam contra a liberdade de abortar.
Fonte: France Presse





