08/10/2002 08h44 – Atualizado em 08/10/2002 08h44
A Câmara dos Deputados ganhou um tom avermelhado nessas eleições. Segundo projeções do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e da própria liderança do partido, o PT teve um crescimento surpreendente nestas eleições e, a partir de 2003, passará a ter a maior bancada da Casa. De acordo os cálculos do Diap, o partido de Luiz Inácio Lula da Silva — hoje a quarta bancada da Câmara, com 58 deputados — conquistou, no mínimo, 88 cadeiras. Mas o número pode chegar a 92. As estimativas da liderança do partido — baseadas em números oficiais e em consultas estado por estado — são mais otimistas: variam de 92 a 101 vagas.
Com ou sem composição de bloco com os demais partidos que hoje integram a oposição, o PT poderia, então, concorrer à Presidência da Câmara no ano que vem. Uma das apostas no meio político é o presidente do partido, José Dirceu (SP), que está coordenando a campanha de Lula à Presidência da República. Em Minas, a bancada do partido, que hoje é de sete deputados, passou para 11. Em Santa Catarina, eram dois e agora são cinco; no Paraná, de três para seis.
Também no Senado, o PT teve um crescimento significativo. Quase dobrou. Hoje com oito senadores, terá 14 no ano que vem: dez eleitos no último domingo e quatro com mandato até 2007. Com isso, passará de quarta a terceira bancada da Casa, ocupando o atual lugar do PSDB. Somados, os partidos de oposição chegarão a 27, equivalente a um terço do Senado Federal.
Lá, a bancada tucana vai emagrecer no ano que vem, caindo dos atuais 14 para 11. Na Casa, o PMDB teve queda expressiva e disputará com o PFL o status de maior bancada, ambos com 19 senadores. Até então, o PMDB tinha 24. A bancada do PFL, hoje com 17, ganhou dois novos senadores. Com isso, Marco Maciel (PFL-PE) e José Sarney (PMDB-AP) deverão disputar a presidência da Casa.
Hoje dono da maior bancada da Câmara, com 98 deputados, o PFL cairá para a segunda colocação. Segundo as projeções do Diap, ocupará de 82 a 89 cadeiras da Casa. Pelas previsões da liderança do partido, esse número varia de 85 a 90 vagas.
Com 94 deputados na atual Legislatura — a segunda maior bancada da Câmara — o PSDB passará para a terceira colocação, atrás do PT e do PFL. Pelas projeções do Diap, o partido sofreu uma perda de até 20 vagas e terá de 73 a 80 deputados no ano que vem. Os cálculos da própria liderança do partido são até mais pessimistas: de uma bancada entre 70 e 78 deputados.
O PMDB, no ano que vem, também terá perdas. Com 87 deputados atualmente, contará com uma bancada entre 72 e 76 parlamentares. Nas projeções feitas pelo Diap, todos os partidos de oposição apresentam crescimento, especialmente o PSB. Hoje com 16 deputados, o partido de Anthony Garotinho, terceiro colocado na corrida presidencial, poderá ter até 30 deputados.
Esse crescimento, no entanto, não basta para garantir base sólida a Lula, caso ele seja eleito presidente. Segundo o diretor de documentação e analista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, Lula teria, nesse cenário, um apoio consistente de, no máximo, 170 deputados, incluídos aí os partidos de oposição. Se presidente, teria adesão condicionada de 200 deputados aproximadamente, graças às negociações com fatias do PSDB, PMDB e PTB. A bancada de oposição ficaria com cerca de 130 deputados, com parcela do PMDB, PFL e PSDB.
Eleito, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teria nessa nova Câmara um bloco de apoio consistente maior: cerca de 200 deputados. A bancada de oposição seria, no entanto, muito maior: os cerca de 170 que estariam ao lado de Lula. Hoje, a oposição a Fernando Henrique Cardoso se restringe a 115 deputados.
— Seja quem for o eleito, o presidente terá que negociar cada proposta enviada à Câmara — comenta Antônio Augusto, do Diap, ainda surpreso com o desempenho do PT. — Havia uma pressão de transferência de voto da base governista para a oposição. Mas bem mais moderado. O PT surpreendeu.
O Partido Liberal (PL), do senador José Alencar, vice na chapa de Lula, também aumentou sua bancada no Senado. Em vez de um, terá três senadores a partir do próximo ano. O PDT terá cinco, enquanto o PTB verá sua base no Senado cair de cinco para três senadores.
Fonte: Jornal O Globo





