09/10/2002 17h00 – Atualizado em 09/10/2002 17h00
O mercado financeiro brasileiro teve uma quarta-feira de poucos negócios e uma boa dose de pessimismo e especulação. O dólar comercial fechou em alta de 3,88%, cotado a R$ 3,870, na compra, e R$ 3,875, na venda. Nem as intervenções diretas do Banco Central (BC) nem a nova regra para operações com o câmbio foram eficazes para conter a disparada da moeda americana, que chegou a ser negociada por R$ 3,90 (+4,55%). A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve queda de 1,48%, a terceira consecutiva na semana.
O dia foi de poucas novidades, mas os resultados negativos foram registrados desde a abertura dos negócios. O desempenho negativo dos mercados internacionais também colaborou para depreciar os ativos brasileiros. Às 17h, o C-Bond caía 6,54% e o risco Brasil disparava 9,29%, alcançando 2.294 pontos-base.
Entre as principais preocupações dos investidores estão as dívidas em dólar do setor público e do privado. Somente nas duas próximas semanas, o Banco Central terá de liquidar mais de US$ 4 bilhões em papéis atrelados à variação do câmbio. Já o setor privado deve enviar ao exterior cerca de US$ 2 bilhões até o final do mês para honrar compromissos.
O cenário eleitoral continua como pano de fundo de todo esse cenário de incertezas, já que os investidores, principalmente os estrangeiros, especulam com a indefinição em torno do futuro governo e com a capacidade de o Banco Central conter a pressão exercida pelo mercado sobre as cotações.
Na segunda-feira, o BC elevou de 50% para 75% a exigência de capital próprio sobre as posições em dólar. A medida reduz a alavancagem dos bancos, que teoricamente teriam de vender as posições excedentes. A medida provocou uma tímida queda do dólar na terça-feira e foi ignorada hoje.
As razões da ineficácia da medida dividem analistas. Uma parte acredita que as grandes instituições já estavam operando com níveis de alavancagem semelhantes aos impostos pelo BC. Outra parte alega que o BC sabe exatamente quem está alavancado, e não teria tomado a decisão se não soubesse quais são os montantes excedentes.
- O movimento de hoje foi muito baixo e o dólar subiu com poucos negócios, restritos às operações das tesourarias bancárias. Ou os bancos estão com folga em suas posições ou o Banco Central estava equivocado, o que é improvável – disse Francisco Gimenez Neto, diretor da Corretora NGO.
Segundo ele, a pressão é causada essencialmente pela proximidade das dívidas vincendas, e não devido ao cenário eleitoral, que figura como um agravante neste mês. O Banco Central já vem tendo dificuldades na rolagem da dívida interna, principalmente depois que se evidenciaram as perdas dos fundos com mudanças nas regras de precificação de títulos públicos.
A Bovespa fechou em queda de 1,48%, com o Índice Bovespa em 8.714 pontos. O volume financeiro foi de R$ 373 milhões, considerado bastante baixo. A bolsa paulista operou em queda desde abertura, influenciada pelo desempenho negativo das bolsas americanas e pela disparada do risco-país.
Telemar PN e Petrobras PN, as duas ações mais negociadas da bolsa, tiveram queda de 2,57% e 0,75%, respectivamente. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores quedas foram de Ipiranga Petróleo PN (-6,6%) e Embraer PN (-5,6%). As altas mais significativas foram de Tele Centro Oeste PN (+4,8%) e Vale do Rio Doce PNA (+2,3%).
Fonte: Globo News






