14/10/2002 10h33 – Atualizado em 14/10/2002 10h33
Investidores e operadores aguardam o resultado de mais uma tentativa de rolagem parcial da dívida de US$ 3,6 bilhões do governo com o mercado que vence na quinta-feira. Enquanto isso, o volume de negócios com câmbio é baixo e a cotação do dólar oscila freneticamente.
Após abrir em ligeira alta, a moeda inverteu a tendência, chegou a cair 0,36%, inverteu de novo, subiu 1,57% e há pouco era cotada a R$ 3,861, em alta de 1,07%.
“Está todo mundo de olho só na rolagem e o mercado ainda está bastante desencontrado”, afirmou José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação.
Das 12h às 13h, o BC tenta rolar US$ 1,3 bilhão da dívida que vence na quinta-feira e da qual ainda restam cerca de US$ 2,5 bilhões a serem alongados ou liquidados. O resultado será divulgado às 14h30.
A pressão cresce porque quem hoje tem o papel do governo em mãos prefere não renová-lo, recorrendo ao dólar à vista para refazer seu “hedge” (proteção cambial) ante as incertezas quanto à futura política econômica do país.
O mercado também teria, segundo Carreira, dado pouca atenção às primeiras pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial feita após a primeira etapa de votação e divulgada ontem pelo Datafolha e pelo Vox Populi.
O estudo do Datafolha mostrou o oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 58% das preferências e o governista José Serra (PSDB), primeira opção do mercado, com 32%, enquanto no Vox Populi, Lula tem 60% contra 30% de Serra. Ambos os levantamentos ficaram dentro das expectativas do mercado.
O avanço do dólar hoje mostra que o pacote de medidas divulgado na sexta-feira pelo Banco Central tem efeito limitado, e com foco no enxugamento dos reais disponíveis no mercado, acabou servindo mais para conter uma escalada maior da cotação do que para derrubá-la.
Na sexta-feira, dia do anúncio das medidas, o dólar caiu 4,26%. As instituições financeiras têm até depois de amanhã para se adequarem aos novos critérios.
Fonte: Folha Online





