14/10/2002 09h54 – Atualizado em 14/10/2002 09h54
Os empresários acreditam que, com José Serra (PSDB) na Presidência da República, a economia ficaria um pouco melhor do que com Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o tucano, a expectativa é que haveria mais crescimento e menos inflação no próximo ano.
Esse é o principal resultado de uma pesquisa de opinião realizada na quinta-feira passada pelo Datafolha com 154 empresários e executivos em São Paulo.
Os entrevistados não identificaram cenários substancialmente diferentes para a vitória de um ou outro candidato. Ganhando o tucano ou o petista -ambos defensores de projetos desenvolvimentistas-, a economia deve crescer mais no primeiro mandato do novo presidente do que no último ano de governo de Fernando Henrique Cardoso.
A expansão do PIB (Produto Interno Bruto), que este ano não deverá ficar longe de 1%, seria maior em 2003 com qualquer presidente. Com Serra, seria de 2,9%, na média das respostas; com Lula, ficaria em 2%.
Para os empresários, o tucano conseguiria obter esse resultado com menos inflação. O índice anual sob Serra ficaria em 10,3% em 2003, abaixo dos 14,8% no caso de Lula ser eleito (os números se referem à média das respostas).
Nos dois casos, a inflação ultrapassaria a deste ano e a meta acertada com o Fundo Monetário Internacional para 2003. Neste ano, o IPCA -índice que serve de referência para as metas do FMI- deverá fechar em torno de 8%. Quanto à meta para o próximo ano -que o governo atual já admitiu que não será atingida-, é de 4%, com margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
A pesquisa reflete uma percepção comum entre empresários: muitos deles acham que Serra seria mais comprometido com a estabilização da economia do que Lula. Embora os dois tenham enfatizado a necessidade de se manter a inflação sob controle, Serra -como indica a pesquisa- convence mais o empresariado.
Os entrevistados não trabalham com a hipótese de um dólar barato, independentemente de quem vencer a eleição. A cotação da moeda norte-americana, que bateu em R$ 4 na semana passada, chagaria ao fim de 2003 com o valor médio de R$ 3,90, na hipótese de um governo Lula. Se Serra for presidente, a expectativa cai para R$ 3,40, na média das respostas.
Quanto aos juros, continuariam altos com Lula ou com Serra. Num governo petista, a taxa seria de 20,3% ao ano, na média das expectativas. Num governo tucano, ficaria em 18,6%. Hoje, a taxa básica do Banco Central é de 18%.
Quanto ao discurso a favor da indústria brasileira, quem convenceu mais o empresariado foi Lula. Para 87%, o petista vai privilegiar mais a indústria nacional (79% no caso de Serra).
A maioria não se mostra preocupada com eventuais choques na economia. Quase ninguém (1%) espera que haja rompimento de um governo Serra com o FMI. Mesmo com Lula, a maioria (79%) não prevê rompimento.
Uma moratória da dívida interna também não faz parte do horizonte da maioria: 97% não prevêem moratória, no caso de Serra ser presidente (79% no caso de Lula vencer).
Fonte: Folha Sinapse




