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domingo, 12 de abril de 2026

Estudo da USP associa evolução das aves às transformações do planeta

15/10/2002 14h26 – Atualizado em 15/10/2002 14h26

E então se intensificou o processo de diferenciação que levou, na América do Sul, aos atuais papagaios, periquitos e araras. Além de contar a história das aves brasileiras por meio da análise da molécula de ácido desoxirribonucléico, o DNA, um grupo de biólogos coordenados por Anita Wajntal, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), analisou as possibilidades de sobrevivência das atuais populações de aves, em especial as ameaçadas pelo comércio ilegal e o desmatamento, e indica quais correm realmente risco de extinção.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores avaliaram as populações de aves por meio do grau de variação das características genéticas de cada espécie, a chamada variabilidade genética – quanto mais elevada, maior a chance de manutenção de um grupo, pois maior a capacidade de adaptação às mudanças do ambiente.

Às vezes, uma espécie de distribuição ampla, mas formada por populações de pouca variabilidade genética, pode correr o mesmo risco de extinção que espécies de distribuição mais restrita. É o caso da arara-canindé ( Ara ararauna ), com um índice de similaridade genética tão alto (0,31) quanto o das espécies mais ameaçadas, como a arara-azul ( Anodorhynchus hyacinthinus ).

Esse índice compara o grau de semelhança entre indivíduos de uma mesma espécie e varia de zero (sem similaridade) a um (idênticos). Papagaios, periquitos e araras ameaçados de extinção têm uma taxa de similaridade igual ou superior a 0,25, enquanto as espécies fora de risco ficam abaixo desse valor. Quanto maior a variabilidade genética, explica Cristina Miyaki, do IB-USP, e colaboradora próxima de Anita, mais aumenta a probabilidade de alguns representantes sobreviverem e passarem as características para as gerações seguintes.

Uma das espécies que se mostraram mais ameaçadas, com similaridade de 0,27, é o papagaio-da-cara-roxa ( Amazona brasiliensis), da qual restam cerca de 3 mil indivíduos, em trechos litorâneos da Mata Atlântica. Com o papagaio-da-ilha-de-marajó (Amazona ochrocephala xantholaema), a surpresa foi inversa: esperava-se encontrar uma população pequena, com alto índice de similaridade e isolada na ilha. Mas ele também vive no continente, há intercâmbio entre as populações e a similaridade é baixa (0,17).

Fonte: Último Segundo

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