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domingo, 12 de abril de 2026

México tem interesse petroleiro na crise do Iraque

15/10/2002 14h12 – Atualizado em 15/10/2002 14h12

O ministro de Relações Exteriores do México, Jorge Castañeda, esclareceu hoje, terça-feira, que seu país, que é membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, tem um claro interesse petroleiro na crise do Iraque.

No entanto, afirmou que nas negociações com o Conselho de Segurança, o México respalda a postura da França, da Rússia e da China, e não a dos Estados Unidos, seu principal sócio comercial, que procura uma resolução que lhe autorize atacar Iraque, caso aquele país não se desarme.

“O México tem um interesse no petróleo. Nós somos hoje o primeiro fornecedor de petróleo dos EUA e isso não está o suficientemente reconhecido. Então, é evidente que para o México tudo o que tem a ver com o petróleo é importante, em um sentido ou em outro”, disse Castañeda em uma entrevista publicada hoje no jornal “Milenio”.

O ministro ressaltou que, no conflito do Iraque, o México não está a favor de um ataque unilateral, mas de uma solução negociada no Conselho de Segurança da ONU.

Nesse sentido, respaldou a posição da Rússia, França e China de enviar ao Iraque os inspetores de desarmamento da ONU antes de decidir sobre o uso da força.

“Esta é a postura que apóia o México e não, até agora, a dos EUA e a da Inglaterra”, assegurou Castañeda, que conversou amplamente por telefone ontem segunda-feira sobre este assunto com seus homólogos da Rússia, Igor Ivanov, e da França, Dominique de Villepin.

“Estamos tentando, junto com eles, de convencer aos americanos que una postura deste tipo teria maior unidade no Conselho, maior legitimidade ante a comunidade internacional e também maior eficácia”, disse.

O chanceler negou a possibilidade que o México apóie a política americana no Iraque em troca de concessões em assuntos bilaterais.

“Nós não pensamos que deva haver intercâmbios desse tipo. Cada tema deve negociar-se em seus próprios âmbitos (..) Não há cambalacho”, afirmou.

Manifestou que o México está de acordo com os EUA “no desarmamento do Iraque, se é que tem armas de destruição em massa, mas a maneira de consegui-lo não é a que estão delineando os americanos”.

O ministro disse que o México também não respalda por completo a guerra contra o chamado “eixo do mal” (Iraque, Irã e Coréia do Norte) empreendida pelos EUA.

“Não estamos de acordo com isso nos casos concretos que se podem estar dando. E também temos certas reticências frente aos precedentes que se possam criar com essa postura”, disse.

Esclareceu que, o México prefire uma solução negociada ao uso da força, a sua “não é uma postura pacifista nem neutra nata”.

“O México prefere as soluções pacíficas, mas há momentos determinados que é evidente que as ameaças a paz e a segurança internacional obrigam ir à frente e recorrer à força “, admitiu.

Apontou que o voto do México no seio do Conselho de Segurança da ONU não tem de ser necessariamente o da maioria.

“Em teoria, não tem nada de mau estar somente quando um acha que tem a razão, quando um tem explicações de por que se está só, pois se pode estar só”, asseverou Castañeda.

Fonte: Agência EFE

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