16/10/2002 08h35 – Atualizado em 16/10/2002 08h35
O Pentágono decidiu participar da caçada ao atirador misterioso que nos últimos 13 dias matou nove pessoas e feriu duas na região metropolitana de Washington. O assassinato mais recente aconteceu às 21h15m (hora local) de segunda-feira. Na terça-feira à noite, o governo disse que o fato de ainda não terem surgido provas concretas sobre a motivação do assassino deixa aberta a possibilidade de os ataques serem obra de terroristas estrangeiros ou locais.
Segundo o Departamento de Justiça, informações de testemunhas de três dos crimes coincidiram em dois detalhes sobre o suspeito: ele teria pele escura – mas não negra – e poderia ser originário do Oriente Médio ou da América Latina.
- Os investigadores hesitam em abrir mão da possibilidade de se tratar de atos terroristas. Não queremos tirar conclusões prematuras. Mas, seja como for, a comunidade está de fato aterrorizada – disse Tom Ridge, diretor do Escritório de Segurança Interna, da Casa Branca.
Equipamentos eletrônicos tão sofisticados quanto o pequeno avião-espião não tripulado Predator deverão ser utilizados na busca ao assassino que na noite de segunda-feira matou Linda Franklin, de 47 anos, analista do FBI, a polícia federal americana. O Pentágono planeja ainda usar aviões especiais de reconhecimento para sobrevoar Washington. Eles são capazes de rastrear a van de cor creme, vista por testemunhas de vários dos crimes, e estão equipados com um sistema de sensores que detecta o brilho do disparo de uma arma no solo.
Assassinato causa pânico em shopping center – Embora fosse do FBI, Linda não participava das investigações dos assassinatos. O fato de ter sido morta pelo atirador fantasma não passaria de trágica coincidência. Ela estava pondo no porta-malas de seu carro as compras que fizera minutos antes numa loja de ferragens, com o marido, quando foi baleada na cabeça, no estacionamento de um shopping center em Falls Church, subúrbio de Washington. Um único tiro acabou com sua vida. O ruído do disparo causou pânico no estacionamento.
- Todo mundo correu para as lojas. Algumas pessoas gritavam por socorro. Quando olhei para trás vi o corpo da mulher. Estava a uns 30 metros de mim – disse Manuel Solis, uma das testemunhas ouvidas pelas autoridades.
A polícia levou apenas três minutos para chegar ao local. Todas as ruas e estradas nas imediações foram bloqueadas, e helicópteros passaram a fazer vôos rasantes com possantes holofotes buscando o veículo suspeito. Na I-66, a principal via expressa da área, o engarrafamento chegou a 17 quilômetros. Depois de quatro horas de buscas, carro por carro, a polícia liberou o tráfego, frustrada. O atirador fantasma tinha se evaporado mais uma vez.
Policiais evitaram revelar detalhes, alegando que informações poderiam favorecer o criminoso. Mas Ellen Qualls, secretária de imprensa do governador Mark R. Warner, de Virgínia, revelou que ele recebera relatórios policiais segundo os quais o atirador desembarcou de uma van de cor creme, apoiou o rifle num ombro e atirou.
José Meirelles Passos, correspondente do “Globo”





