21/10/2002 08h26 – Atualizado em 21/10/2002 08h26
RIO e BRASÍLIA – A viúva do garçom Nelson Simões dos Santos, morto na quinta-feira em Porto Seguro por sete rapazes de Brasília, disse que entrará com ação contra os assassinos do marido. Muito abalada, Eronilda Célia dos Santos disse que tem contado com o apoio de toda a população da cidade baiana para garantir que os rapazes – que mataram Nelson a socos, pontapés e cadeiradas – sejam julgados na Bahia e não em Brasília.
Por telefone, de Porto Seguro, Eronilda contou ao jornal O Globo que a delegada Antônia Valadares, que cuida do caso, garantiu que vai lutar para evitar a transferência dos rapazes.
- Somos pobres, mas vamos lutar por justiça. Estes meninos de Brasília não podem chegar aqui achando que são os reis do mundo e têm o direito de acabar com uma vida e destruir uma família. Nelson trabalhava 12 horas por dia para nos dar uma vida digna. A dor é imensa – disse Eronilda, balconista de uma farmácia, que era casada com Nelson há 16 anos e teve dois filhos com ele, Igor, de 15 anos, e Ketily, de 13.
Eronilda contou que testemunhas disseram que os sete rapazes, dois deles menores, chegaram ao restaurante Sabor do Sul, onde Nelson trabalhava, vindos da Passarela do Álcool, um ponto de encontro de jovens onde há barraquinhas de bebida.
- Eles não estavam consumindo nada e sujaram a mesa. Nelson limpou duas vezes sem falar nada e na terceira reclamou. Um deles já foi dando uma gravata e o outro deu cadeiradas no peito e na cabeça. Os outros giravam as cadeiras no ar para que ninguém se aproximasse. Nelson se arrastou para o banheiro vomitando sangue. Chegou ao hospital quase sem vida, com traumatismo craniano e hemorragia interna – disse ela.
Pais e advogados dos acusados – Artur Alencar Ferreira de Melo, Fernando Ferreira Von Sperling e Mauro Coelho de Souza, de 19 anos; Thiago Barroso Marnet e Victor Antunes Araújo, de 18; e dois rapazes de 17 anos – foram a Porto Seguro tentar conseguir um habeas-corpus e transferi-los para Brasília para aguardar o julgamento. Com o clima de revolta em Porto Seguro, no entanto, a expectativa é de que os jovens não consigam ser transferidos antes do dia 28, quando o inquérito completa dez dias e termina o prazo da prisão preventiva.
Em Brasília, parentes e amigos dos rapazes não quiseram comentar o caso. A namorada de Victor, Jamile Buzar, informou que a orientação dos advogados é que todos aguardem o andamento do inquérito para não prejudicar a defesa.
Fonte: Jornal O Globo / GloboNews






