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terça-feira, 9 de junho de 2026

Egípcios decidem ir ao Iraque para enfrentar document.write Chr(39)

25/03/2003 16h54 – Atualizado em 25/03/2003 16h54

Voluntários egípcios estão viajando ao Iraque para lutar contra o que consideram tropas invasoras.

Segundo informações publicadas pelo jornal libanês Al Zaman, cerca de 1,4 mil egípcios teriam conseguido visto de entrada no Iraque desde que a guerra começou.

Funcionários da embaixada do Iraque no Cairo negaram a informação, mas, em apenas uma hora, a equipe da BBC encontrou 15 egípcios na porta da embaixada que disseram ter conseguido o visto para entrar no Iraque com o objetivo de participar da guerra.

Na Jordânia, que faz fronteira com o Iraque, a guerra está levando exilados iraquianos, que escaparam justamente do regime de Saddam Hussein, a voltarem para defender o país.

Jihad

Segundo a agência de notícias Associated Press, o porta-voz do consulado do Iraque na Jordânia, Jawad al-Ali, disse que a missão diplomática emitiu 3 mil vistos temporários para exilados iraquianos nos últimos três dias.

O porta-voz teria dito ainda que todos afirmaram ter a intenção de lutar ao lado do povo iraquiano.

O empresário egípcio Abu Hassassin, de 42 anos, resolveu deixar a família no Cairo para lutar no Iraque e disse que o sentimento de “irmandade árabe muçulmana” explica a decisão.

“Eu quero lutar contra os invasores em defesa dos meus irmãos iraquianos. A Jihad é mais importante do que a minha família”, disse o empresário.

“Essa guerra é um ataque contra nossa terra, nossa religião. Vou defender minha dignidade, a dignidade do povo árabe”, acrescentou o egípcio, após conseguir o visto na embaixada do Iraque no Cairo.

Um estudante de 17 anos também havia conseguido o visto e disse estar disposto a morrer defendendo o Iraque.

“Os muçulmanos têm a obrigação de lutar. Não tenho medo de morrer. Se não fizermos nada, seremos os próximos”, disse o jovem, que pediu para não ser identificado por temer a reação do governo egípcio.

Abismo

A tropa de voluntários egípcios que está se formando desde que a guerra começou é um reflexo do abismo entre o governo e população.

De um lado, o presidente Hosni Mubarak tenta manter seus interesses de aliado estratégico de Washington na região.

De outro, a população protesta diariamente nas ruas contra a guerra e as políticas americanas para o Oriente Médio.

O carpinteiro Tamer Abdel Nasr, de 20 anos, disse querer lutar ao lado dos iraquianos, mas temer a reação do governo.

“Eu quero lutar, mas o governo proíbe, não quer que egípcios se envolvam na guerra”, disse Tamer.

“O Egito ganha muito dinheiro dos Estados Unidos e não quer arriscar perder isso”, acrescentou Mohammad Shaffy, de 22 anos, colega de trabalho de Tamer.

O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda financeira dos Estados Unidos no mundo, atrás apenas de Israel.

O país recebe anualmente US$ 2 bilhões, que representam a principal fonte de receitas da economia egípcia.

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