26/03/2003 07h10 – Atualizado em 26/03/2003 07h10
A suposta transferência do traficante Fernandinho Beira-Mar, que se encontra preso no interior de São Paulo, para a superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, mereceu hoje (25) protestos do deputado federal Geraldo Resende (PPS). Em pronunciamento na Câmara, o parlamentar pediu que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos analise muito bem o assunto, e salientou que a questão deve ser como um problema do Governo Federal.
Resende disse que em seu deslocamento para a Colômbia, Beira-Mar esteve por breve período no Paraguai, mais precisamente na cidade de Capitán Bado, região limítrofe com o Mato Grosso do Sul. “E ali matou ou mandou matar toda uma família de traficantes concorrentes, os Morel, alguns mesmo detidos em presídios locais”.
Segundo o deputado, a reação da população sul-matogrossense, mais que justificada, é de pavor, uma vez que a Superintendência da PF está localizada em bairro residencial. Exemplificando o risco que se corre com a suposta transferência para Mato Grosso do Sul, o deputado lembrou, ainda, que, mais recentemente, internado num presídio de segurança máxima, Beira-Mar promoveu assassinatos e quase destruiu o presídio.
“Imagine-se, agora, a presença indispensável dele numa cela da Polícia Federal em um bairro residencial, com seus eventuais comparsas circulando pelos hotéis, restaurantes, pelas ruas da cidade, levando, com eles, o sinal indelével dos crimes já praticados e ainda a praticar”, exemplificou.
O parlamentar sustenta a tese da responsabilidade do Governo Federal, ressaltando que “o Brasil não produz a cocaína que aqui é consumida. Nem as armas sofisticadas utilizadas pelos criminosos. Tudo vem do exterior, atravessa livremente nossas fronteiras, o que, por si só, já indica a fragilidade dos controles dessas áreas, de competência da esfera federal”.
Concluindo seu pronunciamento, Geraldo Resende citou o nível de organização das quadrilhas especializadas, que há poucos dias mataram um juiz no interior de São Paulo e poucos dias depois, outro, no Espírito Santo, situação que, na sua opinião, somente o Governo Federal tem condições de enfrentar com a estrutura necessária.





