11/04/2003 17h10 – Atualizado em 11/04/2003 17h10
Sete anos depois da privatização, os governos estadual e federal podem reestatizar o trecho da malha ferroviária entre Campo Grande e Corumbá e utilizá-lo para o transporte de turistas com o Trem do Pantanal. A idéia, que está em estudo, segundo o secretário executivo do Ministério dos Transportes, Keiji Kanashiro, faz parte da segunda fase de negociação com as concessionárias em todo o País.
De acordo com Keiji, a malha, de cerca de 400 km, não seria exclusiva para o turismo e novo acordo seria firmado com a Novoeste para uso das linhas no transporte de carga. O acordo que será firmado com a empresa cria um novo corredor ferroviário para Santos (SP).
Mas, por enquanto, ele prefere ser cauteloso sobre o acordo, alegando que nem mesmo o corredor para Santos foi estabelecido, e disse que há estudo para o Governo do Estado assumir o trecho. O secretário de Estado de Infra-Estrutura e Habitação, Maurício Arruda, foi procurado para falar sobre o assunto, mas estava viajando.
A outorga da concessão foi efetivada pelo decreto presidencial de 26 de junho de 1996 e a Novoeste iniciou a operação dos serviços de transporte ferroviário de cargas em 1º de julho daquele ano. Em 2000, a holding Brasil Ferrovias assumiu a responsabilidade sobre os trilhos das empresas Ferronorte, Ferroban e Novoeste.
Essa semana, o presidente da Brasil Ferrovias, proprietária da Novoeste, Nelson Bastos, teria afirmado que o transporte de cargas no trecho Corumbá – Campo Grande seria paralisado e o trecho entregue para o Governo do Estado para que se coloque em prática o projeto do Trem do Pantanal, mas as declarações foram desmentidas pelas assessoria de imprensa.
A informação é de que a Novoeste não cogita interromper o transporte de carga nesse trecho e ao contrário firmou contrato com a ferrovia estatal boliviana para ela usar a malha até Bauru (SP). Ainda segundo a assessoria de imprensa, a Novoeste tem interesse em apoiar o Projeto Trem do Pantanal.
Quanto à possível reestatização do trecho, a assessoria declarou que a empresa “não está tratando desse assunto”. A melhora nos trilhos, investimento orçado em R$ 250 milhões, para adequá-lo ao trem de passageiros, beneficiaria ainda mais o transporte de carga.
Outro lado
Na opinião do presidente do Sindicato dos Ferroviários, Waldemir Vieira, todos os 900 km de ferrovia sob a concessão da Novoeste deveriam ser devolvidos ao Governo federal. “A privatização só deu prejuízo”, garante o sindicalista.
A empresa, desde agosto de 1998, não paga o arrendamento ao Governo federal e a dívida, segundo estimativa do sindicato, chega a R$ 33 milhões. A Novoeste alega problemas econômicos e as consequências disso seriam o o sucateamento da malha e os acidentes constantes.
O trecho entre Ponta Porã e Maracaju, de acordo com o sindicato, está desativado e os dormentes em melhores condições foram retirados e vendidos pela Novoeste. O presidente do sindicato disse que vai levar o caso ao Ministério Público Federal. A assessoria da Novoeste nega a desativação e afirma apenas que houve redução no número de transporte na região.