07/04/2005 10h51 – Atualizado em 07/04/2005 10h51
JB Online
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra, no Senado Federal, aprovou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico dos madeireiros Luiz Ungaratti e Yoaquim Petrola. Eles são suspeitos de participar de um suposto consórcio que teria patrocinado o assassinato da missionária americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em Anapu, sudoeste paraense, no dia 12 de fevereiro passado. A CPMI também tomou o depoimento do fazendeiro paraense José Décio Barroso Nunes, o Delsão, acusado pelo assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, que ocorreu em Rondon do Pará, na região sudeste do Pará. Ele foi morto a tiros, em 22 de novembro de 2000. Delsão, que é comerciante, foi preso sob suspeita de ser o mandante do crime, mas conseguiu livrar-se da cadeia, por força de habeas-corpus. Ele responde a processos por grilagem de terras, crimes ambientais e sonegação de impostos. A Polícia Federal o investiga pela morte de três funcionários e por 508 ações de violação à legislação trabalhista. O fazendeiro se diz inocente. Em Altamira, na quinta-feira passada, outros dois fazendeiros foram ouvidos pela CPMI da Terra, ambos citados no curso dos inquéritos que apuram o assassinato de Dorothy. Os pecuaristas Laudelino Délio Fernandes Neto e Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, citados por Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida – principal acusado como mandante do crime – em depoimento à Polícia Federal, em Belém. A CPMI da Terra reuniu documentos comprobatórios de que Yoaquim Petrola se desentendeu com Dorothy Stang há dois anos, quando a missionária o denunciou por expulsar colonos de área que alegava ser de sua propriedade. A religiosa argumentava que se tratava de área da União e denunciou o fazendeiro à Polícia, acusando-o de ter contratado pistoleiros em Marabá para assassiná-la.