25.5 C
Três Lagoas
domingo, 22 de março de 2026

ARTIGO:ECOLOGIA E COMPORTAMENTO DAS CAPIVARAS

18/06/2005 10h03 – Atualizado em 18/06/2005 10h03

Embrapa Pantanal

ECOLOGIA E COMPORTAMENTO DAS CAPIVARAS NO PANTANAL.Por:Zilca CamposA capivara, Hydrochaeris hydrochaeris, é um dos maiores roedores do mundo, e tem ampla distribuição desde o Panamá até a bacia do rio Uruguai, no norte da Argentina. A ecologia das capivaras foi intensamente estudada nos Lhanos da Venezuela. No Brasil, a espécie é amplamente distribuída e particularmente abundante em alguns habitats, principalmente na região do Pantanal. Atualmente, existem vários trabalhos sobre ecologia das capivaras em diferentes áreas do Pantanal, abordando aspectos do comportamento social, densidades, habitats, tamanho de grupo, padrões de atividade, uso de espaço, doenças e parasitas e manejo sustentável. O manejo das capivaras pode ser realizado em condições naturais, semi cativeiro e cativeiro, desde que o projeto tenha sido aprovado pelo IBAMA e encontrar-se dentro das normas vigentes de criação de animais silvestres. No Pantanal, o interesse pela conservação e manejo das capivaras vem de longa data. A Embrapa iniciou seus estudos há 20 anos atrás com o projeto capivara, sob coordenação do Dr. Cleber Alho, Universidade de Brasília, com a efetiva colaboração dos técnicos Humberto Gonçalves e Zilca Campos. O projeto recebeu apoio financeiro de um consórcio de Entidades Nacionais e Internacionais e tinha como objetivo conhecer a ecologia e o comportamento para propor um manejo da espécie na região. As atividades de campo concentraram-se em contagens mensais da população de capivaras em vida livre e experimentos de criação em condições semi- naturais na fazenda Nhumirim, Pantanal da Nhecoländia.A população de capivaras observada foi de 325 indivíduos, organizados em 38 grupos sociais, vivendo na área de 4310 ha da fazenda Nhumirim, propriedade da Embrapa Pantanal. O tamanho dos grupos sociais variaram de 2 a 25 indivíduos., podendo encontrar no período de seca grupos maiores. O habitat típico das capivaras é composto de água, campo de pastagem e o capão de mata. Cada grupo social ocupava uma área que variava de 34 a 196 ha. A reprodução na fazenda ocorreu o ano inteiro e foram observados jovens fazendo parte dos grupos sociais. Os potenciais predadores de filhotes foram jacarés (Caiman crocodilus yacare), sucuris (Eunectes notaeus), lobinhos (Cerdocyon thous) e gavião (Polyborus plancus). O padrão de atividades dos grupos de capivaras foram de pela manhã deixarem a floresta e forragearem até as 11 horas, e nos períodos mais quentes do dia retornarem para a floresta ou refugiarem-se na água e, somente a partir das 15 horas retornarem a atividade de forrageamento.O comportamento social das capivaras é extremamente marcante e foi estudado na área da fazenda. Os grupos apresentaram padrões sociais rígidos, com hierarquia de dominância pelo macho. Os grupos eram formados por um macho dominante, fêmeas reprodutivas e jovens. As interações de agressividade ocorreram com outros machos solitários, que tentavam conquistar prioridade de acesso as fêmeas do grupo. Os machos jovens do grupo foram expulsos do grupo social pelo macho dominante que passaram a viver sozinhos.Na estrutura social da espécie, os machos competem mais intensivamente pelo acasalamento do que as fêmeas. O macho dominante de cada grupo tem mais chances de acasalar com as fêmeas do que os machos submissos. O sucesso reprodutivo do macho é geralmente limitado ao número de fêmeas reprodutivas a que tem acesso dentro do grupo social constituído. O sucesso reprodutivo das fêmeas depende de sua capacidade de cuidar dos filhotes, ou seja, habilidade materna. Os machos adultos se destacam das fêmeas adultas pelas presença neles de uma protuberância no focinho, a glândula supra nasal. Os machos marcam seus territórios esfregando a glândula em arbustos e árvores, a qual secreta uma substância pastosa. As implicações do comportamento social das capivaras devem ser considerado nos programas de manejo da espécie, tanto quanto o efeito das mudanças sazonais do seu habitat no uso de espaço. Atualmente, a Embrapa Pantanal esta monitorando a distribuição e abundância das capivaras em todo o território do Pantanal, através do programa de levantamento aéreo de grandes vertebrados, realizado há 10 anos. Espera-se em um futuro próximo poder dispor de maiores informações sobre a espécie, suas populações naturais e seus habitats, gerando informações e ações para sua conservação e manejo sustentável.Zilca Campos ([email protected]), é doutora em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre, pesquisadora da Embrapa Pantanal.

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.