10/11/2005 10h19 – Atualizado em 10/11/2005 10h19
Reuters
O Brasil aparece entre um grupo de apenas 12 países onde se concentram três quartos de todos os adultos analfabetos do mundo, aponta um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas). Ao lado do Brasil, estão Índia, China, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Egito, Irã, Marrocos e República Democrática do Congo. Burkina Faso, na África Central, é o país com menor taxa de alfabetização de adultos, 12,8%. Dois outros países da região vêm em seguida: Níger (14,4%) e Mali (19%). Na quarta edição do seu Relatório Global de Monitoramento da Educação para Todos, a agência da ONU para a educação e cultura alertou que não só 20% dos adultos do mundo são analfabetos como há 100 milhões de crianças na idade da educação primária fora das escolas. “A poderosa ligação existente entre a alfabetização de adultos e uma melhor saúde, maior renda, uma cidadania mais ativa e a educação das crianças deveria funcionar como forte incentivo para que governos e doadores sejam mais pró-ativos”, disse o diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura. Simbolicamente, o relatório foi lançado em um centro de alfabetização de adultos no bairro londrino do East End. O texto diz que os três principais objetivos -EPU (Educação Primária Universal), paridade de gênero e qualidade – vão mal apesar da atenção mundial, por causa da falta de recursos. O objetivo de 2005, de estabelecer a paridade de gênero no ensino básico e intermediário, não foi cumprido por 94 países. Além disso, 67 nações não devem conseguir dar educação primária universal até 2015. A Ásia, os países árabes e a África sub-Saariana são as áreas onde esses objetivos estão mais distantes de serem atingidos, segundo o relatório. Em todo o mundo, mais de 132 milhões de pessoas com idades entre 15 e 24 anos são analfabetos funcionais. “Embora haja um crescente apoio à EPU, a alfabetização não está no alto da agenda dos doadores bilaterais”, disse o relatório. “Poucos doadores bilaterais e bancos de desenvolvimento fazem referência explícita à alfabetização em suas políticas de ajuda”. O estudo propõe novos esforços para chegar à EPU, a reafirmação da meta de paridade de gênero, gastos públicos maiores e mais eficientes, maior foco na alfabetização de adultos e jovens, duplicação dos gastos na ajuda à educação e que os países em piores situação sejam tratados como prioridade.