04/08/2006 14h03 – Atualizado em 04/08/2006 14h03
Paulo Rocaro Artifício muito usado em períodos eleitorais, a ‘rádio-pião’ pode ser considerada um eficiente meio para se disseminar notícias falsas sobre este ou aquele candidato. Ganhou notoriedade na época de Juscelino Kubitschek de Oliveira, o JK, em todas as suas disputas – do governo de Minas Gerais à presidência da república – período no qual se travou verdadeira guerra de informação e contra-informação. Geralmente a ‘rádio-pião’ se propaga com maior facilidade em ambientes políticos conturbados, quando determinada pessoa, preferencialmente autoridade ou pessoa que detenha alguma credibilidade, comenta com outra – propositadamente, alguém que é conhecido por não conseguir guardar segredos – uma ‘informação quentíssima’ de última hora, de cunho negativo, sobre algum adversário. É batata! Em pouco tempo a cidade toda está comentando. Aquilo viaja feito um rastilho de pólvora em chamas. E se propaga de tal maneira que até os mais céticos, que não entram muito nessa de fofoca, acabam tomando a informação como verdadeira. E daí em diante, o que se assiste é um ‘fervo’, ou como costuma dizer meu irmão João Bosco: “um rebuliço nervoso”. A fronteira vive atualmente sob os efeitos da ‘rádio-pião’, com informações maldosas que saem de diferentes pontos da cidade, inclusive órgãos públicos como a prefeitura e a câmara de vereadores. Todo dia é um tal de “fulano desistiu”, “beltrano vai ser preso”, “cicrano abriu o bico”, e assim por diante. Esta é uma eleição diferente. Até cabos eleitorais estão meio perdidos por causa das mudanças na legislação eleitoral. Por adotar uma estratégia mais técnica para sua campanha, o ex-prefeito Vagner Piantoni é um dos que, vira e mexe se depara com alguém que quer saber se é verdade que ele desistiu de ser candidato. Mesmo estando com a campanha em franco andamento em cerca de 30 municípios, fechado com uns dez candidatos a deputado federal e fazendo reuniões diárias na cidade, tem gente acreditando na mentira. Outra vítima da ‘rádio-pião’ é o ex-prefeito e ex-deputado Oscar Goldoni. O que tem de boato na cidade dando conta de que ele desistiu por estar “com medo do Odilon” não é brincadeira. O juiz já foi embora, o Oscar está em campanha, mas a boataria corre solta. Que eu saiba, o Oscar Goldoni não tem condenação na Justiça Federal. Mesmo porque, se tivesse, não seria candidato. O vice-prefeito Álvaro Soares, então, tá ferrado. A ‘rádio-pião’ esparramou na cidade que ele teria desistido de concorrer porque ‘não tem dinheiro para a campanha’. Os muros já estão pintados, tem gente trabalhando e mesmo assim, “está desistindo”. O vereador Veimar Marques também entrou na mira da fofocaiada, como se ele nem estivesse mais na disputa. Tá fechado até com candidato a deputado federal de fora. Pior é que seu algoz, segundo a ‘rádio-pião’ é o prefeito Flávio Kayatt. Não entendo como as pessoas podem achar que o prefeito tenha interesse em destruir o Veimarzinho. Afinal, ele integra a base de sustentação do Executivo na Câmara. O único que acabou “tossindo” antes da hora foi o Eduardo Christianini. Ele foi ao embalo da ‘rádio’, mas voltou atrás para manter presença com seu partido. Essa é, definitivamente, uma eleição diferente das outras. Sem camisetas, bonés, bandeiras ou brindes, as pessoas contratadas para pedirem votos para seus candidatos estão sofrendo. A maioria não conhece o passado e tampouco o presente de quem a contratou. Em meio à novidade eleitoral, de trabalhar sem oferecer nada aos eleitores, fatos hilários acontecem diariamente. Cabos eleitorais de determinado candidato a deputado estadual chegaram numa casa no bairro São Domingos e pediram para conversar com o dono, que estava cuidando de sua horta. Conversa vai, conversa vem, vendo que o homem já estava definido quanto a outro nome, não perderam tempo. O grupo saiu da casa levando um saco de verduras. Fez um ‘limpa’ na horta do coitado do eleitor, que ficou no prejuízo. Na boa. * Paulo Rocaro é escritor, jornalista, presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente).


