24/08/2006 11h03 – Atualizado em 24/08/2006 11h03
- Prof. Felipe Aquino Os anjos só têm espírito e os animais apenas têm corpos. Já o ser humano, criado à imagem de Deus, é uma síntese perfeita e maravilhosa de espírito e corpo. O relato bíblico exprime essa realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que “o Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2,7). Portanto, o homem é querido por Deus em sua totalidade. O corpo do homem também participa da dignidade da “imagem de Deus”. É a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito. O Concílio Vaticano II explicou que: “Unidade de corpo e de alma, o homem, por sua própria condição corporal, sintetiza em si os elementos do mundo material, que nele assim atinge sua plenitude e apresenta livremente ao Criador uma voz de louvor” (GS 14,1). Não podemos desprezar a vida corporal. Ao contrário, devemos estimar e honrar o corpo, porque ele foi criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia. Assim, devemos evitar todo tipo de vícios e maus hábitos que possam fazer mal à saúde e prejudicar o corpo. Todas as formas de vícios acabam lesando a saúde. O vício do cigarro, da bebida alcoólica e das drogas, de modo especial, fazem mal à saúde. É preciso cultivar a virtude da temperança, porque ela nos ajuda a evitar toda espécie de excesso – o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos usados à esmo. Tudo o que possa fazer mal ao corpo é considerado pela Igreja como algo mau e indevido. Por exemplo, aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado pela velocidade, colocam em perigo a segurança alheia e a própria nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpáveis. Quantas pessoas perderam a vida por causa de acidentes nas estradas provocados por motoristas embriagados ou até mesmo drogados? Não é lícito, também, colocar a vida e a saúde em risco sem necessidade, apenas pelo desejo imoderado de aventura. A Igreja chama a nossa atenção de que “a vida e a saúde física são bens preciosos confiados por Deus. Devemos cuidar delas racionalmente, levando em conta as necessidades alheias e o bem comum. O cuidado com a saúde dos cidadãos requer a ajuda da sociedade para obter as condições de vida que permitam crescer e atingir a maturidade: alimento, roupa, moradia, cuidado da saúde, ensino básico, emprego e assistência social” ( Catecismo §2288). Especialmente em relação aos jovens, os pais precisam estar atentos aos vícios que eles possam vir a adquirir. Sabemos que é na juventude que eles se iniciam e podem se tornar um grande mal. Quantos jovens perderam as suas vidas por causas das drogas? Ao lado da saúde física, é preciso cuidar da saúde mental. Se a pessoa não tem uma vida equilibrada, ela pode buscar nos vícios uma forma de compensar suas frustrações e carências afetivas. Podemos e devemos buscar ajuda profissional e espiritual para tratar dos males de nosso espírito. Hoje a depressão é causa de muito sofrimento – e mesmo de morte. É preciso tratar dela com médicos, psicólogos, psiquiatras e ajuda espiritual. Também as condições de trabalho inadequadas podem fazer mal à saúde. Felizmente, os governos estão hoje mais alertas a isso. Ainda assim, há casos de desrespeito neste campo. Em relação ao trabalho, devemos nos lembrar de que não podemos ser escravos dele. Muitos se matam de trabalhar, sem o necessário repouso e férias. Isso prejudica a saúde física e mental, sem falar no mal que pode fazer para a família. Quantos pais e mães abandonam seus filhos para se dedicar exageradamente ao trabalho? O dinheiro ganho desse jeito pode depois ter que ser usado com médicos e psicólogos para compensar os males produzidos pela ausência dos pais junto aos filhos. Se, por um lado, é preciso cuidar do corpo, por outro devemos estar conscientes de que também não precisamos dispensar a ele um cuidado exagerado. A alma é mais importante do que o corpo; este um dia morrerá, mas alma é imortal. Novamente, precisamos cultivar a temperança. * Prof. Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova (www.cancaonova.com)


