01/11/2006 09h56 – Atualizado em 01/11/2006 09h56
Wilson Bento (*) Desde os primórdios da civilização humana o som foi a forma mais expressiva de comunicação. Os gritos, grunhidos e berros do homem das cavernas já indicavam raiva, disposição, alegria, fúria ou desejo. Com a fala, o som se aprimorou, ampliando de forma significativa a comunicação humana. O áudio, a partir da voz (fala) e contando com pequenos instrumentos de amplificação (chifres ocos, troncos de árvores, etc.) foi revolucionário e representou passo importante para a organização do homem em sociedade. Há quem insista em afirmar que a chegada do rádio no final do século XIX teria sido o divisor de águas da história do áudio para a humanidade. Lamentavelmente, essa postura é tão equivocada quanto atribuir ao padre italiano Guglielmo Marconi a paternidade desta invenção. Para quem não sabe, sete anos antes de Marconi ser considerado o “pai” do rádio, o padre brasileiro Landell de Moura fazia uma transmissão experimental a partir da Avenida Paulista, com os sinais sendo captados no bairro Santana. Foi a primeira radio transmissão que se tem notícia no mundo. Infelizmente, algumas autoridades do Brasil consideraram o padre um bruxo – por falar com “vozes do além”. Mas disputas de autoria à parte, o grande acontecimento que perpetuou o poder do áudio para sempre na sociedade humana aconteceu no dia 30 de outubro de 1938, em Nova York. Na noite deste dia um programa radiofônico, comandado por um quase desconhecido radialista (na verdade já um homem multimídia) chamado Orson Welles, mudava a história do rádio abrindo o espaço para que a imprensa e as empresas de comunicação passassem a ser consideradas como o “quarto poder” constituído. Utilizando apenas sons e silêncio (sem trilhas sonoras) Welles adaptou para o rádio (em formato jornalístico) a obra A Guerra dos Mundos do escritor inglês H. G. Wells – a mesma levada ao cinema duas vezes, a última em uma versão insossa estrelada pelo galã Tom Cruise. No roteiro, a história da invasão dos Estados Unidos por marcianos a partir de uma pequena cidade de New Jersey chamada Grover’s Mill. Mas o que isso pode ter mudado a história do rádio e do poder do áudio para o mundo? Simples: a veracidade passada pelo formato (cobertura jornalística) e o alcance da transmissão (seis milhões de pessoas ouviram o programa), levou pânico para pelo menos 1,2 milhão de habitantes de Nova York e proximidade. Engarrafamentos nas estradas, hospitais lotados, abrigos disputados, tentativas de suicídios, aglomeração nas ruas e sobrecarga nas linhas telefônicas fizeram parte do tumulto entre a noite do dia 30 e madrugada do dia 31 de outubro: exatamente, a “Noite das Bruxas”. A experiência de Orson Welles fez com que ele, no dia seguinte, pedisse desculpas à população pelo efeito provocado. A partir deste dia foi revelado ao homem o poder de uma forte e mortal arma: o áudio através do rádio. Infelizmente, o mundo da comunicação e os governos (com exceção da Alemanha) não analisaram desta forma de imediato. Apesar do alerta da radiodifusão de “A Guerra dos Mundos”, a nova arma seria usada para a eliminação de milhões de pessoas. Percebendo o poder do áudio e de sua veiculação pelo rádio, Hitler utilizou-se desta estrutura como sua maior arma de propaganda, trazendo terror ao mundo. Os mais desavisados podem dizer que este poder é coisa do passado. Seria uma visão limitada ao extremo, uma miopia histórica, para não dizer. Depois do desbunde do rádio – na primeira metade do século passado – o áudio foi para a televisão, para as emissoras radiofônicas FM, para os videocassetes, para os CD´s, DVD´s, para a Internet e até para o espaço sideral – hoje gravações em áudio de músicas clássicas e rock percorrem o sistema solar dentro de naves não tripuladas. Além da multiplicação de seu poder, as novas utilizações para o áudio ainda estão surgindo. Aqui mesmo no Brasil, em breve um novo sistema de áudio e de comunicação multimídia já está sendo utlizado experimentalmente e deverá ser lançado oficialmente em breve. Trata-se de uma espécie de mídia onde o “gerenciador” tem como utilizá-la interativamente, alterando conteúdo a qualquer tempo e fazendo as adaptações ao gosto, necessidade e perfil de seus clientes/público.
Aparentemente pode ser pouco, mas se atentarmos bem, esta nova ferramenta deverá servir para acrescentar muita coisa: atua como ferramenta de endomarketing, canalizando informações de interesse geral de um público específico, tanto na área executiva quanto na área prática; pode ter ainda a função educativa, com o indivíduo recebendo informações passivamente, sem deixar o que está fazendo além de servir também como instrumento para ações de musicoterapia. Como não tem fluxo contínuo de transmissão, o conteúdo tem como ser alterado em tempo real a partir de uma base de controle. Em breve, com certeza, teremos mais novidades sobre o lançamento nacional desta nova e fantástica ferramenta de comunicação que, com certeza, solidificará ainda mais o poder do áudio nos processos de comunicação humana. Felizmente não iremos precisar de uma nova “Guerra dos Mundos” para demonstrar sua eficiência. (*) Empresário, sócio-proprietário da Master Case Digital Business em Campo Grande/MS: [email protected].


