26/01/2007 07h36 – Atualizado em 26/01/2007 07h36
Cezar Miranda – jornalista
Nada como ser um político com muitas histórias para contar. O interesse é tamanho sobre o que ele tem a escrever que até mesmo os ladrões se interessam pelos seus relatos. Pois um dos políticos que mereceram essa “deferência” da bandidagem foi o ex-todo-poderoso José Dirceu, que perdeu os holofotes, mas não deixou de ser um interlocutor privilegiadíssimo do governo Lula. Zé Dirceu contratou um escritor para preparar a obra contando sua passagem pelo Palácio do Planalto, oficialmente como Ministro Chefe da Casa Civil. Os escritos foram roubados e tudo está perdido, pelo menos por enquanto e com poucas possibilidades de serem recuperados. Particularmente, não acho que perdemos alguma coisa de importante. Zé Dirceu jamais irá relatar as conversas reservadas com José Genoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério e outros integrantes da “quadrilha” que foi denunciada à Justiça e da qual o Procurador Geral da República afirma que ele era o chefão. Da mesma forma, é certo que no livro do Zé não devia constar conversas mais ásperas com o Presidente Lula, Gilberto Carvalho e outros que não integram a mesma “quadrilha” por mero detalhe. Seria um livro água com açúcar. Zé Dirceu falaria de decisões que ajudou a serem tomadas e correções de rotas que ele sugeriu. Devia estar escrito que ele foi voto vencido em algumas decisões que deram erradas e para finalizar, assumiria sozinho o ônus dos problemas enfrentados por Luiz Inácio Lula da Silva. As principais histórias de um dos homens mais influentes da história política deste país, nem mesmo seus netos terão o privilégio de ouvir. As sujeiras foram para debaixo do tapete e de lá irão diretamente para o túmulo. Esse ladrões, diferente dos amiguinhos de Zé Dirceu, não levaram nada de importante. São aquilo que se convencionou chamar de “ladrões de galinha”.


