07/03/2007 13h25 – Atualizado em 07/03/2007 13h25
Cezar Miranda – Jornalista
Antigamente o sujeito colocava a carta no Correio e ela demorava a chegar ao destino. Lá ela era lida algumas vezes e depois colocada na mesa de cabeceira, não sem antes a pessoa pensar: Assim que der, vou responder. E esse ‘assim que der’ demorava a chegar… Na semana que passou recebi e-mail de um amigo com os seguintes dizeres: Por onde você anda, sumido? Dê notícias. Claro que fiquei contente por ele ter me escrito e querer saber como eu estou e estava disposto a retornar a correspondência, lhe dando detalhes de como vai a minha vida. Hoje pela manhã, novo e-mail que dizia: Vai me responder ou não vai? Ou seja, para o meu amigo, eu deveria ter respondido imediatamente. Teria que parar tudo que ando fazendo para lhe dedicar total atenção, explicando em detalhes praticamente tudo que tenho feito e, se possível, o que pretendo fazer num futuro não muito distante. Estava na fila do caixa do banco e um rapaz bem mais novo que eu me fez o pedido: Será que eu poderia passar na sua frente? Estou com pressa. A julgar pelo que disse, imagino que ele tenha olhado para a minha cara e pensado: Esse não faz nada na vida. Pode esperar. Da mesma forma que ainda não respondi meu amigo, não deixei o rapaz passar à minha frente na fila. Não estou com pressa de responder, da mesma maneira que não estava com pressa de ser atendido. Mas, ao que me conste, as minhas decisões e a velocidade delas, quem determina sou eu. Escrevi este texto rapidamente.


