16/03/2007 09h35 – Atualizado em 16/03/2007 09h35
Cezar Miranda – Jornalista
Se o Lula pode, eu também posso usar sem medo a palavra “hipocrisia”. Ontem o ex-presidente Fernando Collor foi à tribuna do Senado fazer um pronunciamento com mais de 2 horas de duração, dando a sua versão para o impeachment que sofreu. Nada menos que 17 anos se passaram, até que Collor finalmente abrisse a boca para relembrar fatos que rondaram sua passagem pelo Palácio do Planalto e especialmente sua saída de dentro dele. Alguns dos que o crucificaram na época, hoje são seus companheiros de Senado. Muitos dos que eram figurantes na época, já morreram. Muitos do que torceram por sua saída, ontem o aplaudiram. Tipo hipocrisia pra lá, hipocrisia pra cá. O ex-governador do Distrito Federal e hoje Senador Joaquim Roriz, foi o primeiro a interromper a fala de Collor. Fez rasgados elogios ao ex-presidente e abriu a porteira para que outros tantos o seguissem na mesma direção. Ninguém, mas ninguém mesmo foi capaz de aparteá-lo para falar do Fiat Elba ou do finado PC Farias que, aliás, teve uma morte até hoje não explicada. A vida política nacional segue sempre a mesmo script. Ontem foi Collor, mas já houveram outros que, passado um tempo, posaram de coitadinhos e vítimas e saíram muito bem na foto. Jânio Quadros renunciou e depois voltou para ser prefeito de São Paulo. Getúlio deu um tiro no peito e até hoje o tal do “sair da vida para entrar na história” é sucesso. Com Collor não poderia ser diferente. Hipocrisia pouca é bobagem.



