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sexta-feira, 20 de março de 2026

Risco de mãe para filho

19/03/2007 15h57 – Atualizado em 19/03/2007 15h57

  • Dr. Eduardo Franco A chamada “transmissão vertical”, que acontece de mãe para filho, é uma das principais preocupações dos especialistas em relação à infecção pelo vírus HIV. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 8% das gestantes soropositivas transmitem a doença para o bebê. A taxa é muito alta, já que em países de Primeiro Mundo esse índice é quase nulo. O tratamento correto com o uso da combinação de três medicamentos (como por exemplo, a zidovudina mais lamivudina e nelfinavir, entre outras) faz com que os riscos do contágio para o recém-nascido sejam reduzidos para menos de 3%. Ou seja, o grande vilão da transmissão vertical é a falta de acompanhamento e terapia adequada. Por isso, é essencial que o diagnóstico seja precoce e que a paciente siga corretamente a terapia, que deve ser iniciada durante a gestação. Os medicamentos devem ser oferecidos a todas as gestantes portadoras do vírus, mesmo que elas não tenham nenhum sintoma, pois diminui a quantidade de vírus HIV no sangue da mãe, reduzindo a chance de transmissão ao bebê. Tanto o preconceito quanto a falta de informação nos faz perder a chance de impedir que mais crianças sejam contaminadas com o HIV. Um dos fatores que tem maior contribuição para o crescimento desse número assustador é a falta de acompanhamento pré-natal. O teste anti-hiv, que deve ser solicitado pelo médico no início da gestação, com o consentimento da gestante, muitas vezes não é realizado. Ele é o instrumento que permite um diagnóstico precoce da doença. Estudo apresentado no Boletim Epidemiológico da Aids comprova as informações. Só para se ter uma idéia, na região Norte e Nordeste somente cerca de 33% das gestantes que fazem o exame, ficam cientes do resultado. O preconceito e a falta de informação também rondam as futuras mamães. Muitas ainda não sabem que a AIDS já deixou de ser uma doença de grupos de risco e podem afetar qualquer pessoa, independente de seu estado civil. Mulheres casadas e solteiras correm riscos, já que muitas podem ser contaminadas pelo marido ou namorado fixo em relacionamentos onde a vida sexual do parceiro diversas vezes é desconhecida. Como a doença pode ficar anos sem manifestação, as pessoas acham que nunca foram infectadas. Basta o exame para esclarecer. * Dr. Eduardo Franco é infectologista, Mestre em Virologia pelo Imperial College of London-Inglaterra, e gerente médico da Roche, na empresa é responsável a linha de medicamentos para tratar a infecção pelo HIV, como o Viracept (nelfinavir) e o Fuzeon (enfuvirtida).

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