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sexta-feira, 20 de março de 2026

Ponto de vista: Escada da vida

03/04/2007 09h00 – Atualizado em 03/04/2007 09h00

Na porta do casebre da favela a criança ranheta e com pés descalços dava a informação com precisão: O pai “ta trabaiando” e a mãe “foi trabaiá tamém”. Com dificuldades imensas, a vida dessas crianças seguia seu ritmo e “trabalho” era uma palavra que, mesmo errada, aprenderam pronunciar. Fernando Henrique Cardoso começou timidamente mudar essa realidade, a partir da criação do programa Bolsa-escola, pagando para que os rebentos sentassem num dos precários bancos escolares ao invés de na escada do barraco. Uma idéia cheia de boas intenções, a princípio. Luiz Inácio Lula da Silva promoveu mudanças profundas no sistema de “Bolsas”. Criou uma rede de benefícios assistencialistas que fez com que a escada do barraco ficasse pequena pra tanta gente sentar. A intenção, neste caso, pode ter sido boa, mas desvirtuou-se rapidamente. Virou um caminho fácil para se chegar ao voto. Hoje, “trabaio” já não faz parte do vocabulário cotidiano das crianças. Seus pais só estão tendo o trabalho de ir a uma casa lotérica no início do mês e lá sacar o dinheiro que os programas lhes garantem. O risco maior desta avalanche dos chamados “benefícios sociais” será sentido num prazo não muito longo – se é que já não pode ser sentido. Essas pobres crianças pobres perderam o exemplo dos pais trabalhadores. Na escada da vida, estão aprendendo a ficar sentados.

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