30/04/2007 09h11 – Atualizado em 30/04/2007 09h11
Eles enganam o meu povo dizendo que tudo vai bem quando nada vai bem pretendem esconder as rachaduras na parede com uma mão de cal. (Ezequiel, 13.10) “Calada vigiarei meus dias. Quanto mais vigiados, mais curtos! Com que mágoa o horizonte avisto… Aproximado e sem recursos. Que pena a vida ser só isto” (Cecília Meireles) Na última quarta-feira, 25/04 cerca de trinta mil professores e servidores estiveram na Capital Federal para uma passeata protesto, reivindicando um piso salarial nacional, que venha suprir as necessidades da classe, de sorte, que possam sair dessa avalanche de provações que vem assolando a categoria, ocasionada pelo descaso dos governantes.No meio dos trinta mil, lá estava eu, bandeira em punho e repetindo o bordão: Educação na rua, governo a culpa é sua! Parecia mais um lamento do que um protesto! No exato momento da nossa partida para Brasília, liguei para um amigo muito querido e disse que estava indo e verbalizei: _Quero saber o que sentirá meu coração de poeta quando estiver lá, e que emoção haverá terá! A resposta dessa pergunta farei pública, quero que corra aos quatro ventos dessa nação. No decorrer da passeata, enquanto passávamos pelos Ministérios impressionou-me a grande quantidade deles, designados para nobres causas, meu coração, ao contrário do que disse ao meu amigo, não se emocionou! Despedaçou-se! Visualizando a suntuosidade dos enormes edifícios, me senti menor que uma formiguinha! Totalmente impotente ali aos pés de todos os poderosos que com meu voto ajudei chegar lá. Éramos em muitas cores de camisetas, colorindo as avenidas e contrastando com a elegância dos executivos e parlamentares “muito bem pagos” que sorriam por fora, e gargalhavam por dentro, dadas as nossas debilidades frente a esse mar de ganância, e impunidade; como também, tanta força e enorme poder de manipulação das massas. Minhas leituras dos ministérios não cessavam nunca, e a cada passo a dor do meu coração aumentava, lembrava das lindas histórias sindicais, das grandes lutas, das poucas vitórias e inúmeras derrotas. Lembrei-me de Che, de Olga e de tantos outros heróis e heroínas, que por essa a vida a fora defenderam os oprimidos, lembrei-me de Ezequiel ele sim tinha razão, pois tudo que até agora foi alcançado não passa de paredes rachadas, que os opressores passaram cal, e que um dia certamente ruíram. Caíram por terra se Brasília, não criar mais três ministérios, já se disse que poetas são românticos, concordo, eu não fugi a regra, pois ali no meio de tantos ministérios vejo que, faltam três, o Ministério do amor, e o Ministério do descaso, descaso ás minhas mãos embranquecidas de giz, cujas rédeas dessa nação repousam, Sou professor, e, portanto, devo exaurir todos os argumentos que possuo, pois sou plenamente a favor da criação desses novos ministérios, pois em vindo eles, os outros não ruíram certamente! Mas qual será o terceiro? Esse não nomearei, pois primo pela minha liberdade até porque, no final dessa prédica deixarei meu endereço eletrônico, para que todos se comuniquem comigo, e dêem sugestões para esse ministério, que haverá de acabar com tanta vergonha, assalto aos cofres públicos, e dar a fim ao meu sofrimento e de mais outros tantos milhões de brasileiras e brasileiros, que certamente são a favor da criação de mais esses três imprescindíveis ministérios; para que não tenhamos mais que viver correndo risco de ver que, a qualquer hora Brasília venha a ruir, em cima dos que não tem pernas pra correr, quanto menos jatinhos pra fugir daqui, mas eu não fugirei, nunca, lutarei até o fim dos meus dias, para que possa ver enfim , lindo, suntuoso e sobretudo atuante o Ministério do Amor, dos três é o maior deles! Até vista companheiros! Com que magoa o horizonte avisto….
*Sueli Batista Damasceno-Poetisa e professora da Rede Estadual de MS. Atua na Escola Dom Aquino Três Lagoas. E-mail: eloisaluz_2@hotmail.


