03/08/2007 15h42 – Atualizado em 03/08/2007 15h42
Dona Rosalina, Dr. Carrel e o Poder da Prece. Constantemente me chegam cartas, bilhetes, recados daqueles que enfrentam grandes padecimentos. São mães cujos filhos morreram, pais lutando para afastar seres queridos do vício, jovens à procura de um rumo certo, gente fragilizada por um mal incurável, velhinhos abandonados por quem lhes deveria proteger a existência. E, igualmente, há o problema da “solidão acompanhada”. Talvez seja um dos fatores pelos quais algumas pessoas hoje se expõem tanto, como a dizer, apesar de toda a proclamação de sucesso que se lhes fazem: “— Hei, estou aqui! Também tenho coração!” Uma senhora, a quem chamarei Dona Rosalina, é uma dessas criaturas sofridas que anseiam, pelo menos, por uma palavra de conforto. Não vou entrar na particularidade do seu caso. Mas posso revelar uma pequena sugestão que lhe fiz e que, segundo me relata, lhe tem servido de apoio. Vali-me de minha própria experiência. Nas horas de dificuldade, quando parece que não há saídas para certas questões, recorro à oração e ga¬nho forças para o trabalho. E não me tenho arrependido, ao seguir o lema do venerável São Bento (480-547): “Ora et labora”. Passei-lhe então uma prece que, pela primeira vez, ouvi do saudoso mineiro de Santos Dumont Geraldo de Aquino (1912-1984). Espero que sirva a quem me honra com a atenção, se, na lide diária, estiver atravessando provações que, às vezes, não pode revelar ao maior amigo ou à mais sincera confidente. Ninguém, religioso ou ateu, se encontra livre disso. Essa oração, desde o nome, invoca um sentido de que todos necessitamos: Caridade (Charitas, em latim), que aprimora o relacionamento das criaturas que buscam ver no semelhante algo além de um saco de carne ou fonte inesgotável de exploração. A Caridade não é cativa da acepção restritíssima a que alguns a querem condenar. Trata-se da mais elevada política. Ilumina o Espírito do cidadão. Por que perder a Esperança? Ela inflama a coragem da gente. A primeira vítima do desespero é o desesperado. Como costumo afirmar: “A Esperança não morre nunca”. José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade.


