24.1 C
Três Lagoas
quinta-feira, 19 de março de 2026

A febre dos ‘Djs’ amadores

13/08/2007 08h56 – Atualizado em 13/08/2007 08h56

Paulo Rocaro Revelados em pequenos bairros da periferia ou em emissoras de rádio, os disque-jóqueis (Djs) proliferaram de forma espantosa nos últimos anos. Se antes eram uma saída para animação barata em eventos da juventude, hoje revelam-se algozes de animadores profissionais e de bandas que atuam nos mais diferentes acontecimentos sociais. É impressionante a quantidade de jovens que se auto-intitulam ‘Djs’, invadindo ou promovendo festas. No Brasil não há, pelo menos oficialmente, nenhum controle sobre a atuação destes pseudo ‘artistas’ da música eletrônica. O triste da história é que as bandas estão ficando paradas (algumas já desistiram da carreira) por não conseguirem concorrer com os valores cobrados pelos animadores. Saem da atividade porque a estrutura que têm de manter para suas apresentações é dispendiosa, impede preços menores para shows. Contudo, faço aqui um parêntesis para o grau de profissionalismo de poucos Djs que hoje estão em evidência na fronteira, em Mato Grosso do Sul e no país. Enquanto alguns estão preocupados com a imagem, com a regulamentação da profissão, com a formação e conteúdo, outros salpicam de um lado para outro, sem qualquer expressão, com aparelhagens ridículas e nenhum conhecimento da própria profissão. Entusiasmados com o sucesso de poucos profissionais da pura cepa, marinheiros de primeira viagem aventuram-se em festas como se entendessem do assunto. Obviamente, a maioria quer mais é aparecer, comer de graça e estar na ‘crista da onda’, como se dizia antigamente. Cobram cachês ínfimos (até porque não teriam notas fiscais para fornecer aos contratantes), só para não ficar fora da festa. Almejam apenas notoriedade. E acabam contando com a ‘ajuda’ de promotores de festas, que para ganhar mais em cada evento, contratam estes amadores a preço de banana. Enquanto isso, por conta da concorrência desleal destas pessoas, grupos profissionais e até estudiosos da verdadeira música e da profissão acabam ‘detonados’, desistem da atividade. Quem perde? A sociedade, a cultura, é claro! Camarada sua a camisa, junta profissionais, investe em equipamentos e toca uma banda, cuja despesa mensal ultrapassa 5 mil reais. Aí, na hora de acertar um baile ou uma festa, fala em 1.500 reais e parece que o mundo vai acabar. Não é para menos. Como poderia concorrer com um disque-jóquei amador, que promete o mundo e o fundo, uma noite inteira de animação por 150 reais? Impossível deitar argumentos sobre valores. Bons Djs, com equipamentos excelentes, conhecimento da profissão e empresa regularizada para recolhimento dos impostos devidos, estão na base de 2 mil reais. Mas até estes já estão tendo problemas por causa da ‘invasão’ de amadores no mercado e também pelos baixos preços oferecidos pelos que só querem aparecer, beber, comer de graça, curtir a festa e ainda levar algum. Recentemente, um grupo musical de renome internacional perdeu um evento numa cidade do interior do Estado, depois que um Dj apareceu na área e cobrou 800 reais para animar o grande evento, para cerca de 500 pessoas, a noite inteira. Resultado: a festa foi um fracasso. Primeiro, porque a aparelhagem do dito-cujo não estava à altura; segundo, o sujeito aproveitou o ‘tudo de graça’ e começou a entortar o caneco cedo da noite. Lá pelas 3 da madrugada, o animador cara-de-pau já estava com a boca mole, chamando Jesus de Genésio e urubu de ‘meu louro’. De repente, queimou a única potência que ele tinha e o som pifou. Acabou a festa bem no meio. Imagine a fúria dos organizadores que caíram na conversa do dito ‘Dj’. Perceberam, com muita frustração, que realmente ‘o barato sai caro. * Paulo Rocaro é escritor, jornalista, presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente). E-mail: [email protected]

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.