10/09/2007 10h24 – Atualizado em 10/09/2007 10h24
Paulo Rocaro Muitas pessoas se comportam da forma que imaginam que agradará a todos. Faço questão de comentar aqui uma metáfora que nos fala da impossibilidade de realizar este objetivo e sobre a necessidade de confiarmos em nosso julgamento interno. É a história de um pai que andava pelas poeirentas ruas de uma cidade, em pleno calor, junto com seu filho e um jumento. O pai estava sentado no animal, enquanto o filho o conduzia, puxando a montaria com uma corda. – Pobre criança! – exclamou um passante – Suas perninhas curtas precisam esforçar-se para não ficar para trás do jumento. Como pode aquele homem ficar ali sentado tão calmamente sobre a montaria, vendo que o menino está virando um farrapo de tanto correr? O pai ouviu e levou a sério aquela observação. Desmontou do jumento na esquina seguinte e colocou o menino sobre a sela. Porém, não passou muito tempo até que outra pessoa passa por eles e ergue a voz para dizer: – Que desgraça! O pequeno fedelho lá vai sentado como um sultão, enquanto seu velho pai corre ao lado. Esse comentário magoou o rapaz e ele pediu ao pai que montasse também no burro, às suas costas. Uma mulher que passou em seguida, usando um véu, resmungou indignada: – Onde já se viu uma coisa como essa? Tamanha crueldade para com os animais! O lombo do pobre jumento está vergado e aquele velho que para nada serve e seu filho abancaram-se como se o pobre animal fosse um divã. Pobre criatura! Os dois alvos da amarga crítica da mulher entreolharam-se e, sem dizer uma palavra, desmontaram. Entretanto, mal tinham andado alguns passos quando outro estranho fez troça deles, dizendo: – Graças a Deus que eu não sou tão besta assim! Por que vocês dois conduzem esse jumento se ele não lhes presta serviço algum, se ele nem mesmo serve de montaria para um de vocês? O pai colocou um punhado de palha na boca do jumento e pôs a mão sobre o ombro do filho, dizendo: – Independente do que fazemos, sempre há alguém que discorda de nossa ação. Acho que nós mesmos precisamos determinar o que é correto. * O autor é escritor, jornalista, presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente).

