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quinta-feira, 19 de março de 2026

A nudez do Renan

21/09/2007 08h59 – Atualizado em 21/09/2007 08h59

* Sueli Batista Damasceno 

 Poetisa e professora do MS A  gente vai contra a corrente 

Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir Chico Buarque

Ao rever conceitos de nudez, recorro ao mais correto e indiscutível de todos, ou seja, o sentido etimológico, segundo o Dicionário Aurélio: Nudez: 1. estado de uma pessoa sem vestes; 2. ausência de enfeites;3.carência, privação. Desde que começou essa saga Renan, Mônica, pensão, lobista laranja, boi e brasileiras pobres e sem dotes, fiquei atenta, pois faço parte da última citação, brasileira pobre e sem dotes, porém, com direitos e deveres, que os cumpro a risca sim, pois, se não cumprir vou presa, com apenas uma regalia, tenho curso universitário. 

 Dias desses ao chegar das compras, percebi que havia trazido por erro do empacotador, um pacote de quilo e meio de carne, que não era meu, imediatamente, retornei ao supermercado, fiz a devolução, fazendo questão de falar com o gerente, pois sabia que os funcionários iriam ter que arcar com o prejuízo da empresa, enfim cumpri meu dever de cidadania.

No caminho de volta para casa, pensei na filha da Mônica Veloso que, se já tinha uma vida de princesa, imagina agora que além de uma pensão invejável, terá os ricos reais, que sua linda mãe amealhou, com grande esperteza e sabedoria ao posar nua para uma renomada revista masculina, mas ela está certíssima, ela pode e deve ficar exposta, desnuda, colírio para os olhares masculinos e ranger de dentes para as brasileiras pobres e sem dotes. 

 Lá nos primórdios bíblicos, vemos a história de Noé, que amaldiçoou seu filho, por tê-lo visto nu. Desonra para alguns, honra para as Mônicas do nosso Brasil, ela pode, mas o Renan se tirar o paletó, será um qualquer, como era antes de ser político, sem paletó, verá como é dura a vida de um brasileiro que labora o dia todo, e ao chegar em casa quando tem arroz, feijão e ovo frito, fica tão feliz que chega sentar na laje, para assobiar uma canção que fale de amor e fica sonhando com o filho, que tem a pretensão de ser no futuro um médico ou engenheiro. Enquanto ele sonha na laje, no Planalto em Brasília, a votação favorece os prazeres de um senador que, jamais poderá tirar seu paletó, pois sem este, como irá sobreviver?

Numa nudez crua e fria, Renan terá que se contentar em viver com um mísero salário mínimo, e alguns benefícios sociais do governo como vale gás, e etc… E depois de jantar arroz, feijão e ovo, irá certamente sonhar na laje, com seus áureos tempos de senador, e como era linda aquela jornalista nua!

Ao digitar essa crônica de conteúdo medonho, me dou ao luxo de cantarolar Roda viva, pois, vou como toda brasileira pobre e sem dotes, resistindo como posso, mas com um detalhe, eu não me calo, e meu direito de protestar, esta aqui nesse desabafo, porque quando, amanhã raiar um novo dia, tenho a certeza que na volta do barco, no crepúsculo efêmero e lindo do meu Brasil, saberei que cumpri meu dever de ser honesta, e não me calei.

Desnudamos, um coração aflito e esperançoso, de um Brasil vestido de honra, pois como brasileiras e brasileiros podemos assim faze-lo, já o Renan, ele não pode ficar nu, pois tem muito pudor, coitado, assim como aquelas pessoas que festejaram grotescamente, a vitória de poder continuar vê-lo sempre vestido de paletó e gravata. Enquanto ele veste seu paletó, o Brasil vai ficando nu e privado de homens de honra, de políticos pela qual a história não teria vergonha de desnudar.Tira a roupa Renan!

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