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Três Lagoas
quinta-feira, 19 de março de 2026

Lembrar Ramez Tebet

17/11/2007 08h16 – Atualizado em 17/11/2007 08h16

Senador Valter Pereira Ao completar um ano de saudades do meu dileto amigo, correligionário e líder Ramez Tebet, gostaria de compartilhar com meus coestaduanos algumas das impressões que pude colher ao longo dos muitos anos de nossa convivência. Foi uma convivência profícua, múltipla, fundada tanto no afeto e no respeito recíprocos como na comunhão do ideário político que sempre nos inspirou. Não era difícil conviver com Ramez Tebet. Raras vezes em minha vida conheci uma personalidade tão vocacionada para o exercício das relações pessoais. Ramez cativava a todos que o conheciam pela fineza do trato, pela sensibilidade da inteligência, pela inata disposição para o diálogo, que significa tanto saber falar como saber ouvir. Mas cativava, sobretudo, pela sinceridade dos sentimentos. Quanto Ramez falava, era o seu coração que falava. Quando agia, era o seu coração que agia. Por isso a generosidade e a solidariedade são as grandes marcas de toda a sua vida, pública ou privada. A outra grande marca de Ramez Tebet foi a coragem. Que ninguém confunda a cordialidade, que era um princípio formador do seu caráter, com qualquer espécie de covardia. Ramez sabia ser firme como poucos quando se tratava de defender princípios éticos ou políticos, ou quando via ameaçados seu amado Estado de Mato Grosso do Sul ou sua mais que adorada Três Lagoas. Soube enfrentar com a mesma firmeza e valentia a cruel doença que, minando lentamente suas forças físicas (sem jamais afetar sua saúde espiritual), terminou por levá-lo de nosso convívio. Ramez Tebet nunca se entregou. Lutou e amou a vida até o fim. Lembro-me de uma frase que ele repetia sempre, como uma oração: “Deus me deu muito mais do que aquilo que eu merecia, e sou-Lhe grato por isso”. Lembro-me também das palavras com que encerrou seu último pronunciamento no Senado Federal, apenas um mês antes do seu falecimento. Naquele momento, ele era alertado pelo alarme programado de que o tempo reservado ao seu discurso havia terminado. A reação do bravo Senador parecia prenunciar a chegada do momento final: “Ouço a campainha tocar, alertando-me sobre o tempo, mas o que está tocando é a campainha do meu coração. Permita-me! Eu não quero parar!” Seu vibrante coração parou, mas não sua obra e seus exemplos, que continuam pulsando – em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, em toda a pátria brasileira que soube reconhecer o valor de um dos seus filhos mais ilustres. Nos corações de seus familiares e amigos, que guardam seus ensinamentos e sua alegria de viver como uma inspiração eterna, sua lembrança está viva. Na infra-estrutura do Estado e dos Municípios, sua lembrança está viva. Nas escolas, ginásios cobertos, centros culturais e unidades de saúde espalhados por todo o Mato Grosso do Sul, as batidas do seu coração dão vida à educação, ao entretenimento e à saúde do povo. Ao prosseguir a luta pelo desenvolvimento nacional, e pela erradicação das desigualdades sociais e regionais, honramos a lembrança viva de Ramez Tebet. Ao defender a democracia brasileira, que tanta luta e sofrimento nos custou, sentimos seu coração bater em nossos corações. Lembrar Ramez Tebet não é lamentar sua morte, mas celebrar sua vida.

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