10/12/2007 16h05 – Atualizado em 10/12/2007 16h05
*Pe. Fábio de Melo O bom treinador é aquele que sabe ressaltar a qualidade do atleta e, principalmente, encaminhá-lo para a superação dos seus limites. Não é possível falar de crescimento humano sem mencionar nossos limites. O primeiro passo, então, é reconhecer onde nós precisamos melhorar. Lamentavelmente, não somos educados nem educamos para a coragem. Muitas vezes, os incentivos deixam de mostrar a realidade: a nossa fragilidade. Parece que a nossa educação está sempre voltada para nos revestir de uma coragem que nos faz esquecer o limite. E, quando mostramos as nossas fragilidades, há uma série de repreensões. Estamos em pleno processo de fabricação, ou seja, não estamos prontos. Nem eu, nem você. Eu não sou perfeito, estou por ser feito. Estou sendo feito aos poucos. Nesse processo de ser feito aos poucos, vou descobrindo onde é que dói o espinho da minha limitação. Quanto mais uma pessoa se aperfeiçoa no processo de ser gente, tanto mais facilmente ela reconhece seus limites. Ter coragem é descobrir onde está a nossa fragilidade e ali trabalhar com maior empenho. É nesse momento que entra a grande contribuição do Cristianismo, numa proposta antropológica. Deus não quer que você seja um anjinho na terra, mas que você permita que Ele mostre onde estão os seus limites para que você lute. Cara feia e arrogância são típicos sintomas de complexo de inferioridade. Por trás disso, se oculta a insegurança. Temos medo de mostrar que não aprendemos. Quantas vezes na nossa vida, por medo, perdemos a oportunidade de aprender? Às vezes, por medo de expor nossa fragilidade, perdemos o direito de chorar. Outras vezes, choramos mesmo sem saber por quê. O ensinamento de Jesus é sempre o avesso do avesso. Quer ser santo? Assuma que você é fraco. Muitas vezes, neste processo de nos conhecer, nós sangramos. E é necessário que isso aconteça. Para quantas pessoas você teve coragem de “sangrar” e de se mostrar? As pessoas que o enxergam por dentro são raras. Nós somos todos iguais. Nós padres também somos todos iguais. Não adianta fingirmos que somos fortes ou ficar fingindo que não sentimos nada e que não temos medo. É muito melhor admitirmos que temos medo. Conversão é isso. É você educar o seu filho para ele poder revelar onde estão os “espinhos” na vida dele. O espinho não é o defeito, mas é a seta que nos mostra onde temos de trabalhar para ser melhores. O que vai sobrar de nós é a nossa vontade de amar. * Padre Fábio de Melo é cantor, compositor, escritor e apresentador do programa “Direção espiritual” na TV Canção Nova


