04/02/2008 09h24 – Atualizado em 04/02/2008 09h24
Valfrido Silva * Diante da necessidade de uma melhor inserção no contexto nacional, que tal Dourados inovar e quebrar as regras da legislação eleitoral, criando um mecanismo inédito para a escolha do futuro prefeito? No vácuo do BBB 8 da Rede Globo, que deve terminar em março, confinaríamos todos os pretensos candidatos para uma minuciosa discussão de idéias e comportamento. Seria o BBD (Big Brother Dourados) 2008, com o juiz eleitoral no papel de Pedro Bial, como apresentador e mediador da contenda, transmitida ao vivo pela TV. Os nossos brothers prefeitáveis seriam indicados pelos respectivos partidos. Uma vez confinados na casa, que deve ser localizada no grande Água Boa, o bairro mais populoso da cidade, teriam que enfrentar todas as situações vividas pelos candidatos à estrela globais, inclusive o paredão. O vencedor da gincana e o segundo colocado iriam, aí sim, para o confronto nas urnas, na data determinada pelo calendário eleitoral, elegendo-se prefeito o mais votado e vice-prefeito o segundo colocado. Seria o passo inicial para a tão decantada reforma política empacada há trocentos anos no Congresso Nacional. Pelo inusitado da eleição todos entrariam zerados na casa. Ou seja, deletam-se todas as pesquisas até aqui realizadas e começa uma nova disputa, com base no comportamento dos participantes. Mais transparente impossível, já que o eleitor vai monitorar, no dia-a-dia, as atitudes de seus candidatos, podendo avaliar a capacidade que cada um tem de agüentar as chateações e pentelhações da clausura, e, principalmente, o nível de estresse que serão capazes de suportar. Sujeito muito nervosinho, por exemplo, é candidato a voltar para casa mais cedo. Os maus companheiros e os que adoram empurrar os outros com a barriga, idem. Já imaginaram Ari Artuzi cochichando “ajuda eu” o tempo todo ao ouvido de Murilo Zauith, que, com aquela paciência oceânica, além de tentar convencer os eleitores-telespectadores que ainda há tempo para a prosperidade, teria que administrar o estica-e-puxa entre Marçal Filho e Geraldo Resende ou Bela Barros (os três que disputam pelo PMDB)? Além disso, todos poderão se deliciar, por exemplo, com o lavoureiro neo comunista José Boniati levando um lero sobre amenidades com a tucana evangélica Lori Gressler, à beira da piscina e com um Biasotto entediado pela falta das intermináveis reuniões petistas, mas ao mesmo tempo ansioso pela oportunidade de pegar o mesmo Murilo na curva para um tête-à-tête sobre seu projeto de cidade educadora. Esta fórmula inédita e que não chega a ser tão complicada como a escolha do presidente dos Estados Unidos faria a alegria dos financiadores de campanha. É que a estrutura seria mínima, só com as despesas da casa, já que os custos de transmissão seriam bancados pelos patrocinadores do programa, havendo ainda a possibilidade de aprovação de uma reforma política a toque de caixa, com a Justiça Eleitoral bancando a transmissão, como faz com o horário eleitoral gratuito. As provas para escolha do líder seriam de resistência – afinal, agüentar o repuxo de quatro anos amassando barro na periferia não é pra qualquer um – e de conhecimento geral, com ênfase em administração pública. Um aparelhinho como aquele que mostra quando o candidato está dizendo ou não a verdade também seria instalado na casa, mas com uma novidade: detectaria também tendência para a corrupção. De antemão, fica a expectativa pela escolha do primeiro líder. Na hipótese de o sortudo ser Artuzi, quem será que ele manda para o paredão? E se Marçal for o primeiro anjo, será que dá o colar da imunidade para Murilo ou Resende? E na hora da comida? Lori Gressler tentando impor seu cardápio à base de comida alemã, sob protestos de Bela Barros: “chucrute (comida com muito repolho) aqui não!”. E Artuzi soltando uma bela gargalhada e sugerindo que todos degustem o prato tradicional das campanhas eleitorais: “puchero neles!”. “O problema”, resmunga Marçal, “é, depois disso tudo, dormir de ladinho, fungando no cangote deste Catarina”, diz, numa referência a Artuzi, que, na verdade, é gaúcho. É ibope garantido, mesmo que a programação seja exibida apenas na RIT, a TV do pastor Soares, diante do frisson causado pelo paredão de toda semana. Boa sorte aos nossos brothers!
- jornalista: [email protected]


