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quinta-feira, 19 de março de 2026

Nuances do caso Isabella

13/05/2008 13h50 – Atualizado em 13/05/2008 13h50

Este é mais um fato que escancara quanto a sociedade brasileira tem resquícios de tenras épocas escravocratas. Em alguns momentos eles aparecem de forma mais clara.

No momento da prisão do casal Nardoni, a mídia inteira criticou a colocação de algemas. Essa mesma mídia nunca protestou contra esse mesmo procedimento para prender centenas de pobres e negros nas favelas do Brasil todo dia. Onde se conclui, por essa ótica, de que os negros são mais perigosos na sua unanimidade, pois nunca houve um protesto por causa de alguma prisão, mesmo por exceção.

Também são comuns as críticas ao “show”. Esses críticos nem se apercebem que seus repórteres estão sendo “atores” do mesmo “show” que eles criticam. Outros ressaltam que várias crianças são mortas sem a mesma repercussão. Cabe a eles darem tratamento igualitário. A população não tem responsabilidade pelo tratamento diferenciado dado pela mídia entre ricos e pobres. Menos mal, menos mal, que a sociedade ainda não se acostumou que ricos matem suas crianças de qualquer forma. E a imprensa tem o dever de ajudar na indignação para que a revolta seja contra o assassinato de qualquer uma e de qualquer forma. Qualquer assassinato e contra qualquer pessoa é horrendo e o matador mereceria a prisão perpétua, no mínimo.

A cobertura deve ser incessante e não deveria nenhum assassino passar impune. Quanto à colocação de que o assassino só pode ser execrado depois da sentença, tese defendida principalmente pelo apresentador de televisão José Luiz Datena, não procede. A pessoa tem que ser respeitada sempre. Seu erro é punido pela justiça. Os demais devem fazer suas críticas nos limites do respeito ao indivíduo. Uma condenação não tire o dever ao respeito que qualquer pessoa tem por direito.

No caso da Isabella, seus pais podem até não ser os assassinos, mas o direito faz sempre referência ao homem mediano. E nessa média de entendimento, todos os indícios apontam para eles; e as perícias comprovam. Mais. Pode ser apenas o jeito deles, mas o comportamento, o semblante, as manifestações do avô paterno, da irmã do Alexandre Nardoni, e do casal demonstram apenas que eles se preocupam como se livrarem da cadeia. A menina despejada da janela parece um detalhe que não os incomoda. Eles demonstram uma frieza que deixa um ser humano comum mais triste do que o próprio fato. Parece que, se não houvesse risco de cadeia, as isabellas poderiam voar tranqüilamente pelos ares dos edifícios brasileiros.

O direito à valoração subjetiva ninguém pode tirar de outra pessoa. Quando os vejo nas entrevistas fico com a sensação de que em nenhum momento a criança Isabella fez falta àquela família! Nem mesmo seus eternos três, quatro, cinco minutos de enforcamento. E a entrevista à TV Globo só corrobora para essa posição. As lágrimas e caras eram de puro fingimento. Na minha visão. A mídia tem que cobrir todos os casos possíveis. Ou ao menos os que repercutam mais na sociedade, independente do motivo, e não se preocupar com o tamanho do “show”, que não foi ela que deu causa, mas que é ela mesma quem produz. Tomara que a repercussão sirva para evitar que crianças voem para a morte, a cena principal desse “show”.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Bel. Direito

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