18/07/2008 09h56 – Atualizado em 18/07/2008 09h56
Laís Bittencourt de Moraes*
Escaras, úlceras de decúbito ou úlceras de pressão, são expressões utilizadas para designar feridas causadas pela deficiência na irrigação sanguínea, ocasionadas normalmente por pressão tecidual e conseqüente falta de nutrição e oxigenação da pele e dos tecidos subjacentes.
Trata-se de um problema que ocorre com freqüência nos pacientes que permanecem longos períodos acamados ou que ficam muito tempo na mesma posição. Se o paciente não for devidamente cuidado, as escaras podem se agravar, com a formação uma grande ferida.
As áreas que sofrem intensa pressão do corpo como as regiões próximas aos ossos, são as mais acometidas. Merecem especial atenção, portanto, as regiões das escápulas, dos joelhos, dos calcanhares, das orelhas, dos glúteos, do sacro e da parte posterior da cabeça.
As fases de formação das escaras são: eritema (vermelhidão na pele), edema local (aumento da quantidade de líquido regional), isquemia (falta de aporte sangüíneo) e necrose (morte tecidual). Se não for corretamente tratada, a escara tende a aumentar, gerando dores, mau cheiro e outros desconfortos para o paciente. Além disso, esse quadro clínico pode facilitar o surgimento de infecções oportunistas que podem, inclusive, levar a morte, haja vista que uma escara torna-se uma “porta de entrada” para vários microorganismos no corpo humano.
Uma escara pode aparecer em muito pouco tempo, mas, pode demorar meses ou anos para cicatrizar. Assim, o cuidador deve estar sempre atento e verificar a existência de possíveis feridas no paciente (principalmente nos pontos de maior pressão do corpo ao leito). Massagear ao redor das regiões avermelhadas, hidratar a pele e procurar um médico, são medidas de grande importância para evitar o agravamento desse mal.
Vários são os fatores de risco para o surgimento de uma escara, dentre os principais podemos citar umidade (nos casos de pacientes que ficam muito tempo molhados por suor, fezes e urina), perda da sensibilidade tátil, desnutrição, excesso de fricção na pele do paciente, roupas de cama não esticadas, migalhas de alimentos entre o paciente e o colchão e pressão do corpo do paciente por longos períodos no leito.
A prevenção das escaras pode ser feita por meio de medidas simples, como proteger e posicionar corretamente o paciente no leito com rolos e almofadas, utilizar colchões especiais (como o de caixa de ovos, o de ar ou o de água), zelar pela higiene do paciente, movimentar e massagear os membros do acamado, manter o doente fora da cama sempre que for possível e oferecer uma boa nutrição.
O tratamento de um paciente acometido por úlceras de decúbito exige muito cuidado e deve ser realizado por profissionais habilitados como Fisioterapeutas, Médicos, Enfermeiros, Nutricionistas e Psicólogos. Os medicamentos, quando prescritos, devem ser administrados corretamente, assim como os demais procedimentos de limpeza e massagem.
Ademais, deixar em repouso a região afetada e expor a ferida no sol do início da manhã e do final da tarde, além de realizar tratamentos com aparelhos de laser, ultra-violeta, e infra-vermelho (por um profissional habilitado para utilizar esses aparelhos), podem ajudar muito no tratamento.
Informe-se e Cuide-se.
*Fisioterapeuta. Crefito9/80247-F. Pós-graduada em Fisioterapia Ortopédica, Traumatológica e Reumatológica (UNOESTE-SP). Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior (UNIGRAN-MS). Formada em Aurículo e crânio-acupuntura. Formada no método Pilates. Pós-graduanda em Acupuntura (ABA-Associação Brasileira de Acupuntura).



