20/10/2008 09h12 – Atualizado em 20/10/2008 09h12
Waldir Guerra *
Tudo bem que depois de uma campanha política desgastante seja necessário um bom descanso. Melhor ainda fazê-lo conhecendo Brasília, uma das maravilhas do mundo moderno e o centro político brasileiro, mas pensado bem, se for para demonstrar que está trabalhando – como indica a publicidade na imprensa local – o eleito, Ari Artuzi, melhor faria antes mesmo de iniciar a viagem que tivesse indicado uma equipe de transição.
As enervantes especulações em torno de nomes para compor o secretariado poderiam ser contornadas sem a necessidade de ausentar-se daqui. Bastaria o futuro prefeito convidar um bom número de competentes profissionais e apresentá-los ao atual prefeito para que seja iniciada a transferência de mando.
Além de dar-lhe mais tempo para escolher com calma seu secretariado, ele teria mais rapidamente a visão das coisas futuras através dessa equipe de transição.
Algumas coisas importantes terão que ser decididas por ele próprio, como o enxugamento da máquina administrativa, pois só não vê quem não quer o número exagerado de funcionários municipais. Encarregar secretários dessa função seria trocar seis por meia dúzia, ou seja: eles simplesmente substituiriam os atuais por outros novos. Esse assunto terá que ser tratado exclusivamente por ele e fazê-lo como se trata um ferimento: mesmo que arda muito, para parar o sangramento precisa mexer nessa ferida.
Depois, o Orçamento terá que ser examinado por ele juntamente com a equipe. Ver quanto terá para cada secretaria e se está no seu gosto para o que deseja para cada setor. Mexer em verbas orçamentárias não é tão simples como arrancar “tachões” em ciclo faixas. Pode dar mais trabalho, pois quem determina como, quando e onde os recursos devem ser aplicados são eles, os vereadores.
As visitas a autoridades brasilienses poderão ser importantes ao futuro prefeito, mas só lhe serão úteis a partir do ano que vem. Algumas delas até nem sei para quê poderão lhe servir. Como, por exemplo, a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente. Nome pomposo, mas é apenas mais uma das muitas “boquinhas” que servem para acomodar militantes partidários do atual governo.
Quanto aos senadores e deputados, esses sim, hoje detêm o poder de liberar verbas federais, mas para isso precisam de projetos. O futuro prefeito nem sabe que projetos podem estar lá em Brasília, pois ainda nem teve tempo de se informar a respeito disso.
Agora, de uma coisa os douradenses podem ter certeza, a área da Saúde Pública vai funcionar e já no mês de janeiro de 2009, pois a equipe de Ari Artuzi é especialista nisso, como também na área da Assistência Social. Foi nesses dois setores que ele se fez politicamente e não foi agora nessa campanha, não, ele vem fazendo um bom trabalho há muito tempo. É o ponto fraco da administração petista e será o ponto forte da futura administração Ari Artuzi; o povo tem certeza disso. Tenho a pretensão de dizer que essas duas secretarias já estão montadas. Pra quê procurar nomes se a equipe já está formada e vem funcionando como um relógio há anos?
Mais uma coisa: ele não tem boa cultura, mas tem sete fôlegos para trabalhar, o que compensa a maioria de suas deficiências. Anotem aí, a única coisa que o povo não vai lhe perdoar é daqui para frente ele se fazer de vítima.
- Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.


