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quarta-feira, 18 de março de 2026

Câmara de vereadores e autonomia política

03/11/2008 15h09 – Atualizado em 03/11/2008 15h09

Waldir Guerra *

 

Ainda é cedo, mas me atrevo a dizer que finalmente a nova Câmara de Vereadores de Dourados, não a atual, mas aquela eleita nessas últimas eleições deverá ser comandada pela oposição.

Tudo indica que o Democratas, partido que fez o maior número de vereadores nessa eleição, agora consiga eleger o presidente da Câmara. Não pelo simples fato de ser o partido com o maior número de vereadores, mas porque sua bancada, comandada pelo vereador Sidley Alves está se antecipando e propondo aos demais vereadores eleitos pelas coligações contrárias ao prefeito Ari Artuzi, uma composição para a formação da nova mesa diretora.

A persistir a idéia dos democratas o vereador de Vila Vargas deverá presidir a Câmara a partir de janeiro próximo e a Primeira Secretaria poderá ser ocupada pelo vereador José Carlos Cimati, ou mesmo Humberto Teixeira Júnior que como vereadores reeleitos têm boa experiência legislativa.

Algo me diz que a vereadora Delia Razuk – lembro o nome dela por ter tido a maior votação entre todos os candidatos ao cargo de vereador – não ambiciona disputar um lugar na Mesa Diretora e presumo também que não irá disputar uma eleição para a Assembléia Legislativa, pois os vínculos familiares com o deputado Jerson Domingos levam a crer que a vereadora irá direcionar seu apoio para reelegê-lo ao cargo de deputado estadual.

Já que entrei no campo das divagações atrevo-me também dizer que a vereadora do PMDB irá, sim, disputar mais uma eleição, mas será para ocupar o lugar do prefeito Ari Artuzi.

Sim, mas ao fazer essas projeções estaria eu subestimando a força política do prefeito eleito? Na verdade ele tem até certa obrigação de tentar cooptar alguns vereadores para sua área de influência e, com isso, indicar algum nome de sua preferência para presidir a Câmara.

Mas considerando o compromisso que os vereadores têm com seus partidos, pois o mandato deles hoje pertence ao partido que os elegeu; considerando também que o prefeito eleito tem mais, nesse momento, com que se preocupar com a organização do seu governo e, por último, considerando também que a maioria dos vereadores se elegeu defendendo as candidaturas de Murilo Zauith e Wilson Biasoto, nada mais justo que os eleitos pleiteiem eles próprios comandarem o processo eletivo da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores.

Essa disposição dos novos vereadores de chamar para si próprios a responsabilidade de eleger o presidente e demais membros da Câmara é um bom indício de uma maior independência entre os poderes, especialmente pelo Legislativo hoje tão submisso ao Executivo. Está na hora também de os políticos douradenses exercerem o comando dos partidos no município porque pela segunda vez consecutiva o vice-prefeito eleito foi indicado pelo deputado Londres Machado. Refiro-me ao atual vice, Albino Mendes, e o agora eleito Carlinhos Cantor, ambos indicados pelo deputado de Fátima do Sul.

Ingerências externas também foram fundamentais na eleição do prefeito Ari Artuzi. Não que possam ser desprezados esses apoios, mas quando se vê a influência exagerada em assuntos que deveriam ser exclusivamente decididos entre políticos locais e não impostos por políticos de fora, isso denota a falta de lideranças locais fortes. Lideranças locais que se projetem em nível estadual é uma necessidade, inclusive, para um melhor desenvolvimento da cidade.

A acertada decisão dos futuros vereadores em assumir eles próprios a eleição da Mesa Diretora fará bem à política partidária douradense.

  • Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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