17/11/2008 08h01 – Atualizado em 17/11/2008 08h01
Waldir Guerra *
Você deve estar cansado de ouvir ou ler nos jornais que vem vindo aí uma grande recessão, o que na verdade deixa muitos apreensivos por sequer saberem que bicho é esse. E com razão porque a maioria de nós – nascidos após 1930 – nem vivenciou aquela grande recessão de 1929.
Depois tem outra coisa, essa tal de recessão mal começou lá onde se originou, nos Estados Unidos da América e agora que está se espalhando pelo mundo, começando pela Alemanha, a locomotiva da economia européia. Deverá, então, chegar por aqui no ano que vem, mas é bom abrir os olhos porque quando ela nos atingir fará muitos estragos.
Por enquanto é preocupação só para os gringos; apesar de que a locomotiva sul-americana – nosso querido Brasil – já está dando mostras que a economia começa a desacelerar. Os preços das nossas commoditys, a soja, por exemplo, caiu mais de 30% nesses últimos dias. O café, então, está até difícil de vender (tomara não seja preciso queimar, como teve que fazer Getúlio Vargas).
Desculpe, mas isso me faz lembrar meu saudoso e querido amigo deputado Albino Coimbra. Cardíaco, teve que esperar longo tempo para receber um coração novo, pois o dele não dava mais conta do recado. Teve sorte, recebeu um coração de um jovem que morreu em conseqüência de um grave acidente automobilístico. Depois de receber alta – e de coração novinho – foi para casa com a recomendação de voltar dentro de poucos dias para reexames. Demorou mais do que o recomendado para voltar ao hospital e levou bronca do doutor que enérgico lhe disse deveria cuidar melhor do coração novo. Ao que Albino lhe respondeu: “mas doutor, se o dono não cuidou bem dele por que deveria eu ter tantos cuidados?”
Para Albino era pura brincadeira, claro, mas talvez seja o nosso caso agora, não estamos dando bola para as coisas que acontecem aos outros lá fora e, amanhã ou depois, podemos sofrer as conseqüências disso.
Aliás, nossa despreocupação – melhor seria dizer desorganização – não é de hoje, vem de bem mais tempo. Está aí o exemplo mais vistoso: incentivamos a produção de automóveis sem nos preocuparmos em ampliar as vias de transporte. Resultado, as estradas não dão conta de escoar direito a produção e o trânsito interno das cidades, então, está um caos.
O país gasta 1,3 trilhão de reais só com os juros da sua dívida. Gasta pouco com a Saúde – se comparado com os juros – tão somente 450 milhões e apenas 94 milhões para reformar e ampliar toda sua infra-estrutura: estradas, portos, ferrovias e aeroportos. Como dá para se ver, além de perdulário, gasta mal nosso país.
Assim como nosso país, o Brasil, precisa “cair na real” e direcionar seus gastos nas prioridades do seu povo, cada um de nós também precisa reconhecer a gravidade do momento e, antecipadamente, pois estamos agora apenas ainda no início de uma desaceleração. Não fazermos dessa crise que já está chegando aqui e levarmos na brincadeira como fez o saudoso deputado sul-mato-grossense, mas cuidar bem das nossas próprias economias tão importantes como um bom coração.
*Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.


