08/12/2008 07h51 – Atualizado em 08/12/2008 07h51
Waldir Guerra *
Foi uma semana de muitas desgraças no litoral catarinense. A natureza foi severa demais e castigou duramente toda aquela bela e rica região; foram dias e dias sem trégua.
Nós aqui, longe do local da desgraça, só podíamos fazer o que fizemos: mostramos nossa solidariedade, ou através de doações, ou então, com nossas orações.
Muita piedade sentimos por toda aquela gente que tudo estava perdendo, inclusive, muitos deles, perdendo as próprias vidas. Estávamos meio conformados com aquelas desgraças mesmo porque nada poderíamos fazer, elas estavam sendo praticadas pela própria Natureza. Foi quando nós – e os milhões de brasileiros que assistiam o Globo Repórter – passaram a ver as imagens que a TV foi nos mostrando com todos os detalhes: milhares de pessoas, homens, mulheres, jovens e até crianças saqueando um grande supermercado. Com a água pelos joelhos carregando tudo o que podiam. Alguns, inclusive, enchendo os próprios carrinhos do supermercado com eletrodomésticos e até bicicletas.
Um misto de pena e revolta foi se criando dentro de nós por não sabermos se a desgraça maior não estaria acontecendo lá naqueles saques no supermercado – e nas dezenas de pequenas e grandes lojas que sabemos foram saqueadas naqueles dias. Qual desgraça seria maior a provocada pela Natureza, ou os saques praticados por grande parte da população ribeirinha do rio Itajaí?
Ainda hoje, já livre da inclemência das chuvas, aquelas imagens revoltantes dos saques teimam em permanecer na nossa mente. A imprensa faz bem em não repeti-las e apesar de vermos agora belas imagens de pessoas trabalhando com largos sorrisos no rosto na recuperação de seus lares e seus negócios, aquela mancha da desgraça praticada não por alguns, mas por milhares, temos certeza, jamais se apagará no nosso cérebro. Não haverá água nem lama que a sufoque ou a destrua. Talvez o que forçou sua gravação em nós foi a impotência dos próprios policiais que desorientados e inertes a tudo assistiam.
Hoje vemos o presidente Lula se esforçando para enfrentar uma crise econômica mundial que vem chegando ao nosso país. O presidente, com razão, injeta dinheiro não aos milhões, mas aos bilhões, reforçando as empresas para que continuem produzindo. Lula vai à TV e pede que os brasileiros continuem comprando, pois tem medo que a economia pare; tem ele toda razão. Chega a ameaçar os bancos para que liberem mais créditos aos consumidores. Lança mais um programa de assistência social a fim de distribuir mais renda. Aumenta o salário de várias categorias de funcionários públicos.
O presidente Lula está certo no objetivo da coisa, mas errado no caminho que usa para chegar lá. Deveria copiar o que a China começou a fazer agora: investir na infra-instrutora do país. Aumentar – como Lula vem fazendo sem parar – as despesas de custeio é jogar dinheiro fora. Precisa criar empregos através de investimentos já mais do que necessários para o Brasil como estradas, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e escolas.
Sim, escolas, mas no amplo sentido, ou seja, na educação do nosso povo. Aí está o maior investimento a ser feito agora para enfrentar a grande crise que já nos alcançou. Todo o investimento feito na educação terá um retorno a médio e longo prazo maior que qualquer outro investimento material.
A educação do povo não apagaria das nossas mentes as imagens que assistimos da desgraça nos saques em Itajaí, mas seria a única maneira de fazer com que nossos netos não tenham que assistir, no futuro, cenas como aquelas.
- Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.



