27.2 C
Três Lagoas
quarta-feira, 18 de março de 2026

Dificuldades normais

08/01/2009 09h10 – Atualizado em 08/01/2009 09h10

Waldir Guerra *

A falta de dinheiro em caixa para pagar os funcionários municipais não deve acontecer apenas em Dourados, mas na grande maioria das prefeituras onde a oposição ganhou as eleições.

Surpresa seria se o novo prefeito encontrasse pelo menos metade do que foi arrecadado no mês de dezembro. Dinheiro que seria suficiente para pagar, nos primeiros dias de janeiro, todos os funcionários municipais. Mas dá para imaginar a pressão a que foi submetido o prefeito, tanto por fornecedores ou mesmo pelos próprios correligionários defendendo interesses de terceiros.

As pressões devem ter chegado a verdadeiras extorsões e dada a conhecida inabilidade do ex-prefeito em impor a vontade própria, principalmente quando se tratava de divergir do partido, não é difícil imaginar o aperto a que foi submetido nos últimos dias do seu governo.

Não que isso signifique justificativa para a inexistência em caixa de recursos para pagar a folha do mês de dezembro – obrigação do prefeito anterior, claro – mas outras dificuldades ainda maiores que um caixa zerado costuma acontecer quando um adversário assume o poder. Na maioria dos casos são consumidos, inclusive, recursos cativos e que devem ser usados exclusivamente em obrigações pré-determinadas. Ao que consta, não é o caso aqui, pois os recursos para fins específicos estão no caixa da prefeitura.

Transição mansa e pacífica de governo foi a que fez Fernando Henrique Cardoso para o atual presidente, Lula. Foi FHC que criou as normas onde lhe permitiu uma transferência sem incidentes políticos e administrativos. Até 2002 as transmissões de cargos no governo federal também tiveram seus traumas, tudo porque não havia regras claras e obrigações definidas aos ministros e seus subordinados quanto à entrega dos cargos.

Por falar nisso, está em estudo no Congresso Nacional a criação de normas para a transferência de governos, tanto municipal quanto estadual; assim como as que já existem quanto à transmissão no governo federal. Certamente coisas como as que aconteceram nessas atuais transmissões deixarão de acontecer pelo menos não tão descaradas como vinham acontecendo. Seriam regras como as que os atuais administradores já conhecem através da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Se há uma coisa boa a ser observada numa administração nova é a troca de mando, tanto com relação ao prefeito como de todos os secretários. Ainda mais quando uma administração tem oito anos e, quer queiram ou não, já está cansando não só a eles, mas os próprios munícipes. A simples substituição da chefia, de cara, já dá uma nova dinâmica nos subordinados. Há um entusiasmo generalizado dentro de cada repartição; coisa até bonita de se ver.

Além do caixa zerado deverão surgir outras dificuldades para esta nova administração. Dificuldades que serão transferidas à conta da administração anterior, mas antes devidamente alardeadas, através da imprensa. Mas no fundo, a gente sabe, são dificuldades normais dos seis primeiros meses de uma nova administração.

E depois, os recém eleitos precisam saber, os seus eleitores estão mais focados no que os novos administradores estão fazendo do que os antigos tenham feito de errado.

*Cidadão douradense; foi vereador, secretário do estado e deputado federal.

[email protected]/

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.