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quarta-feira, 18 de março de 2026

Plantar, sofrer e colher

19/01/2009 07h44 – Atualizado em 19/01/2009 07h44

Waldir Guerra *

É incrível, mas enquanto Santa Catarina se desmancha em chuvas, exatamente na região que mais quer sol, as praias, no interior do Brasil, as regiões produtivas que precisam desesperadamente de boas chuvas, sofrem com uma seca tremenda.

Mais uma vez ouve-se a gritaria, e com razão, de grande parte dos produtores do Paraná, Mato Grosso do Sul e até da Bahia que sabem terão grandes prejuízos nesta safra de verão.

O Paraná já perdeu 5 milhões, dos 21 previstos, de sua safra de grãos. É um número muito grande porque representa uma perda de 23% na produção de soja e 31% na produção de milho. Até a semana passada o Deral, Departamento de Economia Rural do Estado, agora prevê uma colheita total de apenas 16 milhões de toneladas. Os prejuízos vão desde Maringá, região norte, até Pato Branco, sudoeste do estado. Uma verdadeira catástrofe para as finanças dos municípios e o próprio Estado – para os agricultores, então, nem é bom calcular porque dá nos nervos.

O Mato Grosso do Sul não tem uma estimativa das perdas, pois o IAGRO tem dificuldade em avaliar, já que algumas micro-regiões como Ponta Porá, Amambaí e Maracaju estão relativamente bem, mas Dourados tem, segundo o presidente do Sindicato Rural, Marisvaldo Zeuli, uma perda de 50% na safra de soja. E não é maior porque a maioria dos agricultores replantou as sementes – há casos de replantio pela terceira vez. Esses que replantaram pela terceira vez acertaram, pois a chuva deste final de semana está dando um novo ânimo aos produtores.

Para os sul-mato-grossenses não bastasse a seca ainda há a insolvência da maior cooperativa de agricultores do Estado, Coagri, que dadas as suas circunstâncias atuais, não está podendo socorrer seus cooperados. Situação desesperadora, então, para eles que ficam sem apoio algum. É como bem diz o atual ministro da Agricultura: o sistema de financiamento da agricultura brasileiro está esgotado e totalmente errado. Nem mesmo um novo seguro agrícola poderá salvar os agricultores. Há que se propor um novo modelo de financiamento – tomara ainda dê tempo para ele apresentar esse modelo, então.

Na verdade, a crise da Coagri – 240 milhões de reais em dívidas, dizem – começou nas duas grandes secas de poucos anos atrás. Se houve um erro da atual administração foi o de não ter procurado vender seu patrimônio, que não é pouco; mais de uma dezena de armazéns espalhados em pontos estratégicos nas melhores regiões produtoras de grãos do Estado. Armazéns que nada menos de três fortes cooperativas paranaenses cobiçam. Depois ainda precisa ser levado em consideração o grande número de associados (cooperados) que a Coagri tem. É nisso que as cooperativas paranaenses – Coamo, C.Vale e Cooperativa Agropecuária Lar, estão muito interessadas: no quadro de cooperados e nos muitos armazéns.

Talvez seja este também o alerta a ser levado em conta pelos produtores do agronegócio, o de se desfazerem de uma parte do patrimônio para liquidar a dívida vencida porque a sua prorrogação, como vem sendo feita, só afunda cada vez mais os devedores. Além, é claro, de lhes deixar em tremenda insegurança. (sem falar das gastrites e úlceras estomacais – experiência própria).

Financiamentos bancários para os agricultores, somente aqueles do BNDS para os maquinários que tem prazo mínimo de cinco anos. Porque sem um novo modelo de financiamento que garanta aos produtores uma renda mínima, mesmo que haja frustração total, é burrice continuar plantando.

  • Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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