19/02/2009 10h53 – Atualizado em 19/02/2009 10h53
Por Hans Misfeldt
Se alterassem a legislação e parassem de prender pessoas pelo uso ou pelo tráfico de drogas, em especial a maconha, eu arrisco que sobrariam lugares nas cadeias públicas. Mas esse é só um dos pontos positivos que a liberação da droga poderia proporcionar.
A utilização da planta é um assunto um tanto delicado, que ainda gera grandes discussões, e que grandes ícones da sociedade mundial veem estudando há algum tempo – entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
É árdua a luta para se obter resultados. Fácil seria seguir exemplos já existentes ao redor do mundo: a China, por exemplo, mantém uma política de tolerância zero, onde os traficantes podem até serem condenados à morte. Já a Holanda, por outro lado, foi o primeiro país a liberar o uso da maconha desde que apenas em bares especiais.
Uma matéria recente na Revista Época levantou novamente a discussão. O mercado do tráfico de drogas é mantido direta ou indiretamente por cerca de 200 milhões de usuários. Apenas uma estimativa.
Em valores, só nos EUA são gastos US$ 35 bilhões na repressão. Se aprovada a descriminalização do uso da maconha, essas centenas de bilhões gastos em todo o mundo poderiam ser investidas em outras áreas (inclusive na saúde no combate a dependentes químicos).
Entre outros pontos positivos, menos pessoas morreriam no combate e no financiamento das drogas; e como dito anteriormente, menos pessoas presas apenas pelo uso, e, portanto, mais lugares para bandidos perigosos.
Por outro lado, como todo lado tem seus pontos negativos, a descriminalização poderia aumentar o número de viciados, consequentemente aumentando o número de crimes em busca de dinheiro para sustentar o vício; grandes empresas poderiam incentivar o seu consumo; e o sistema de saúde gastaria mais com o tratamento de dependentes.
O xis da questão é complicado. Tem sim que se começar de algum modo, mas com muita cautela. Não poderemos abrir as portas para o tráfico tomar conta do mercado e fazer disto um produto como qualquer outro. Se a liberação pode trazer benefícios como redução de gastos com combate ao tráfico e investimentos em outras áreas, por que não? A maconha é usada, inclusive, na medicina… Então, por que não? Mas existe o lado negativo. Se a coisa vai piorar, aí é questão de se pensar.
Acredito que cada pessoa é responsável pelo corpo que tem, e desde que maiores de idade, podem responder pelos seus atos. Propagandas com moderação, como são feitas com o cigarro e com a bebida alcoólica, são meios interessantes e acessíveis de educar a nossa população, e fazê-las julgar por si só o que é melhor para seu próprio benefício.
Hans Misfeldt, 20 anos, é webdesigner e estudante de jornalismo em São Paulo. Criador do site Tutube.com.br, escreve especialmente para este jornal.


