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quarta-feira, 18 de março de 2026

Mas quem começou foi Lula a

26/06/2009 10h38 – Atualizado em 26/06/2009 10h38

Waldir Guerra *

Não critiquem o BDR, Bloco Democrático Reformista, por propor o lançamento de Marisa Serrano como candidata ao governo e de Murilo Zauith como candidato ao Senado nas eleições do ano que vem.

Primeiro porque se a crítica é para sinalizar que seria uma antecipação de campanha política, então, essa acusação deveria ser feita ao presidente Lula que vem fazendo isso com sua candidata, Dilma Rousseff, há mais de ano.

Lula, sim, poderia ser enquadrado na Lei Complementar 64/90 por antecipação de campanha e ainda abusos no uso da máquina pública em favor de Dilma Rousseff, conforme artigo 22 onde diz: “Qualquer partido político poderá…” pedir abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político… “

De mais a mais, o lançamento antecipado dos candidatos se justifica na necessidade de formar um palanque para a candidatura de José Serra à presidência no ano que vem. Depois, ninguém está usando recursos públicos nessa empreitada, nem mesmo lançando nenhum PAC para promovê-los.

A preocupação dos partidos PSDB, Democratas e PPS que ora compõem o BDR é com a postura do PMDB no Estado que, apesar de seu presidente, Valdemir Moka, afirmar que seu partido estará alinhado com o Bloco nas próximas eleições, o governador, André Puccinelli, tem manifestado apoio à candidata Dilma Rousseff – mesmo porque continua tratando-a carinhosamente de “fada-madrinha”.

Tudo bem que o governador queira manter o fluxo na liberação dos recursos do PAC, do qual a candidata Dilma Rousseff é a gerente. Até aí seus aliados de outra campanha – e também deste seu governo – até compreendem, nesses tempos de crise, o seu desespero por recursos. Mas agora, seus aliados estão achando que nessa delonga já não está só a necessidade de recursos.

Conhecendo bem o estilo individualista do governador e vendo que na prática o mesmo estilo personalista vem sendo visado na montagem de seu projeto pessoal, seus aliados não aceitam conversar apenas no ano que vem. Sabem que em março – prazo que o governador impõe para começar a falar de política – será tarde para eles. Tarde para montar um palanque para José Serra (ou Aécio, talvez) e tarde também para os candidatos dos partidos do Bloco que terão que ir a reboque do governador.

Quem melhor definiu a questão foi o presidente do PSDB, deputado Reinaldo Azambuja ao afirmar que o Bloco quer estar com André Puccinelli na sua reeleição, mas como parceiros e não como subservientes (desculpe deputado, mas é o que está acontecendo até aqui aos partidos do Bloco nesta administração, não é mesmo?).

Os partidos que ajudaram a eleger o governador e que pouco, ou quase nada, participam de sua administração, querem ser ouvidos por ele. Querem dizer-lhe que graças ao seu bom trabalho o Estado já está recuperado financeiramente, mas que a carga tributária – até aqui suportada com heroísmo pelos comerciantes – agora está pesada demais. Querem dizer-lhe que seu maior adversário político hoje não é o PT sul-mato-grossense, mas a carga tributária. Outras coisas os partidos que o elegeram gostariam de dizer, mas Infelizmente não conseguem ser ouvidos por ele.

E, por isso, possivelmente, busquem caminhos diferentes daquele do governador para as próximas eleições e nem estão se importando se iniciam cedo demais esse tipo de trabalho porque quem começou antecipando tudo foi o próprio presidente Lula.

  • Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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